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domingo, 26 de julho de 2020
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Um poema ainda existe é foi escrito para quem se ama...
A Palavra Mulher
Por Antonio Siqueira
![]() |
| @arte:antoniosiqueira |
Passaria a vida inteira e mais outras e outras vidas apenas te olhando,
Minha alma tem dona perpétua,
Luz de velas
E flores na varanda...As flores que te trago dia após dia
O sol não é poente,
Minha lua não é mais minguante
As estrelas brilham sobre a minha cabeça,
Os pássaros cantam, voam, acasalam e são felizes...
Do ar impuro do machismo e preconceito,
Do sistema autoritário deste domínio enojado.
Corro de tudo isso, me faz mal, causa-me repugnância.
Eu me sinto bem nos braços da delicadeza,
Me enlouqueço sem pudor a este fiel sentimento.
Amo-te mulher,
Pois meu maior refúgio é estar contigo...
*Dedicado à Márcia Cristina que gera uma revolução a cada minuto em meu peito.
Obrigado, Bruno R Adami, por emprestar-nos seu talento e sua linda criação para compormos este ensaio:
sábado, 19 de janeiro de 2013
Um poema ainda existe e é existencialista ao extremo:
Bem que te vi
Por Osvaldir Sodré da Silva
![]() |
| Photographed by Marcia Siqueira |
Um país sem lei
pode mudar, basta querermos.
E no reino do faz de conta
mudou pelo encanto
do canto de um pássaro.
Onde um malvado rei
bem sei,
cuidava dos seus, impondo suas leis.
Ninguém ousava tirar dele
a ingratidão, a maldade,
tratava a todos como escravos.
Mas, um dia,
apareceu por entre os galhos
um pássaro lindo,
e pôs o rei,
num situação, direi,
de sobressalto.
O pássaro viu
aquele lugar desumano,
e pôs-se a visitar o rei todos os dias,
Emitia o som alto, mais que podia,
e aos ouvidos do rei chegava aquele:
Bem te vi, bem te vi,
Fazendo o rei pensar
que estava sendo vigiado.
Assim, por uns tempos,
o rei malvado deixou seu povo em paz
Mas, os pobres coitados do reino,
não entenderam o que fez o rei modificar.
Mas, a partir de então,
passou a ser querido.
Sabia ele que a razão,
era o controle maldito
daquele pássaro.
cuja ideia era seguir o seu caminho,
mas, percebendo a mudança na cidade,
sem saber que o rei malvado,
com medo, e controlado
pelo canto, modificara seus métodos
O pássaro resolveu que voltaria ao reino
Todos os dias pelas manhã e a tarde
E foi assim, que aquele reino ficou em Paz,
Por muitos e muitos anos.
Paul McCartney - My Love
Osvaldir Sodré da Silva é
professor de literatura,
escritor, poeta
e escreve o blog Arte, Prazer e Afins
Todos os direitos reservados ao autor da obra ®
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Um poema ainda existe e fala de 'terra e liberdade':
TERRA E PAZ
Por Antonio Siqueira
Nesta terra não tenho saudade de lugar nenhum
E quero voltar para o senso comum.
Quero a flor plantada crescendo sem vaidade
O horizonte escancarado prometendo sossego
E a ignorância das voltas que o mundo dá.
Quero a displicência camponesa
Um suor no rosto e o olhar
De quem já sabe a hora de cortejar o sol.
Quero a terra sem ciência
E em que se plantando tudo dá
- o milho, o trigo, o feijão
As verduras mais verdes de leviana esperança.
Quero esta terra
Assim cercada só de carinho
Sem dono
Sem certidão
Nem nome de latifúndio:
A terra assim não possuída
E mais que amada,
Querida,
Tratada por mãos piedosas
Com o jeito humilde que semeia
E faz promessa
E cumpre
E não negocia propriedade.
Quero a terra assim permitida a tanta gente -
Quero, pois, a terra toda
Doada livremente
Sem acusação de posseiro ou fazendeiro,
Sem briga de índio, branco fardado ou civil.
Quero a terra assim permitida a toda gente
Para lhe fazer chover necessário
Colorir de dourado seu cheiro molhado
Para lhe poupar.
Quero a terra no cio por toda gente
Por aqui e no fim.
Por mim, quero a terra em liberdade
Porque não sou senhor
E na terra e nesta terra serei sempre terra.
Porque no mar serei o tempo que trará vento e água
E decidirá o tempo das colheitas.
E no ar serei o ar que cuidará
Que terra e gente saibam se amar.
Cio da Terra - Milton Nascimento e Chico Buarque
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Com a palavra: Tavinho Paes
estão remixando o
fascismo
Por Tavinho Paes

o primeiro papa do século 21
vestiu o uniforme nazista
e atuou na retaguarda
dos exércitos do 3º Reich
que invadiram a pátria do papa
que ele substituiu
e manteve vivo às caneladas
por mais de duas décadas
enquanto sua maçonaria centenária
apossava-se dos cargos-chave
da burocracia eclesiástica
preparando-se para enfrentar
os exércitos do islão desembestado
numa nova guerra fanática
estão remixando o fascismo
como DJs remixam músicas antigas
em suas maquininhas
tecnologicamente corretas
em noites de raves azougueadas
preparadas para as quarentenas
das futuras epidemias anunciadas
enquanto os tribunais puritanos
preparam a nova inquisição
sob a aparente calmaria política
e a total paralisia das vanguardas
num mundo sem utopias
e cheio de ideologias vagas
um novo fascismo
está sendo cultivado pelos pamonhas
como o ovo de uma serpente
chocado num ninho de cegonhas
os novos infames agem nas sombras
instalando seus exércitos de imbecis
nos sub-escalões da administração pública
nos meios artísticos
nas redações dos jornais...
são batalhões de idiotas
infiltrados em todos os lugares
para evitar que algo fora do anunciado
possa quebrar o protocolo
são reacionários preparados
para engessar processos criativos
interromper reformas estruturais
impedir o tráfego de informações novas
evitar qualquer processo revolucionário
graças à segmentação do trabalho
e ao monitoramento da informação midiatizada
estes monstros estão camuflados na sociedade
como camaleões esfomeados
capazes de pequenas audácias
muitos sequer desconfiam
que estão sendo recrutados
ou tratados como cobaias
e não é raro flagrar alguém de esquerda
defendendo teses da direita
bebericando stolichnaya
vários agentes do novo fascismo
estão orbitando em torno de gente famosa
paparicando pessoas endinheiradas
como cortesãos de segunda classe
acreditando absorver por osmose
características dos seus senhores
sobrevivendo numa pseudocorte
de uma Maria Antonieta restaurada
amealhando sobras de brioches
e aguardando o momento exato
para afiarem a guilhotina
e se apossarem dos brincos
da cabeça cortada
por conta da vaidade narcisista
acreditam-se simpáticos
e merecedores de atenção
embora sejam insolentes
e donos de princípios éticos
de baixíssimo calão
avaliam e selecionam as pessoas
pelo saldo na conta bancária
pela aparência, pelo status-quo
adoram ser porteiros de alas vips
distribuindo pulseiras seletivas
aos acessos de áreas de exclusão
onde empresas pagam a conta do porre
e alugam o lazer e o ócio
de quem não é mais capaz
de expressar nenhuma opinião...
estes vampiros laicos
trabalham em barricadas e trincheiras
protegendo seus escolhidos
do assédio de quem quer que seja
estabelecendo um feudo
do qual são porteiros
...e carcereiros!
quando estabelecidos em gabinetes e palácios
filtram informações, agem como censores
tirando proveitos pessoais
dos segredos, boatos e fuxicos
que interceptam e promovem aos cochichos
como cupins num compensado
espalham-se para todos os lados
rezando a missa ao contrário
em nome do padre
do espírito santo
opus-dei, amém
estes pilantras disciplinados
sentem-se à vontade
para falar de deus
fazendo a faxina dos demônios
como a que, nos Bálcãs
ameaçavam os seus
as celebridades que estão na moda
não passam de sub-lideranças úteis
manipuladas em suas vaidades fúteis
como marionetes travestidas de artistas
sustentadas e pagas pelos gestores do capital
e sua máquina publicitária global
garantindo-lhes a visibilidade
em troca de energia vital
para passarem as tropas em revista
e manterem sob controle
os mal-sucedidos e os arrivistas
nazistas batidos nas fronteiras
ganharam a batalha
50 anos depois da derrota capitulada
unificando a moeda européia na marra
com parâmetros do marco alemão
conquistando por dentro
todos os estados europeus
evitando os assaltos
das divisões armadas
posando de bem-feitores da humanidade
novos fascistas estão indo à luta
em meio à era da política corrupta
aceitando provisórias lideranças fajutas
como à Cristo, um dia, Judas aceitou
até chegar o momento propício
para trair seu comando fictício
e o derrubar com escândalos políticos
estão remixando o fascismo
como DJs de boates gays
remixam músicas do passado
e, desta vez, até você que era contra
se não estiver atento e não tomar cuidado
pode sentir-se atraído e fascinado
pela reinvenção do estado
num mundo cibernético
e celibatário
mesmo os judeus mais ortodoxos
que sobreviveram com remorsos de seus mortos
estão com seus interesses financeiros
comprometidos no mercado dos capitais voláteis
e do jeito que este mundo está indo
assimilarão o novo modelo recauchutado
e decerto participarão dos seus resultados
estão remixando o fascismo
na cara de todo mundo
com um cinismo descarado
que se sustenta às custas da apatia
das ideologias sem doutrina
evaporadas como éter na cirurgia
de um passado enterrado num porre de vodka
entre as cinzas da glasnost e da perestroika
estão remixando o fascismo
e, desta vez, você não vai poder
escolher o lado nem os adversários
desta vez: a repetição da história como farsa
trabalhada pelos publicitários
será um excepcional conto do vigário!
Tavinho Paes
Todos os direitos reservados Ⓡ
domingo, 2 de setembro de 2012
Um poema ainda existe.
Dezembros
Por Antonio Siqueira
Assim como a lua perfaz meu caminho
Replica minha alma, que já foi doce, porém mais prudente
Os olhos da fera refletem nos meus
Contente
Sorrindo
Amo teu riso
Teus olhos
Minha lágrima afoita de medo e desejo
Rogo à lua que te tragas
Mas que venhas sim
Com a paz das marés de abril
Trazendo flores de maio
Que durem por eternos dezembros.
segunda-feira, 19 de março de 2012
Um poema ainda existe
Mormaço
Por Antonio Siqueira
Não há tempestade
Nem nuvem negra
O céu, a estrada
Era domingo de sol e chuva
Derramavam seus prantos
Desconsoladas viúvas
Deste verão descompassado
No meu peito repousa o teu sorriso
Ao sul o azul borrado por nuvens inquietas
Ao norte, o sinistro negrume
Soprando o gelo das chuvas de março
Sobre a floresta, um profundo mormaço
Cuidarei dos teus olhos
Por muito tempo.
Por Antonio Siqueira
![]() |
| Foto: Mormaço - Renan Viana |
Não há tempestade
Nem nuvem negra
O céu, a estrada
Era domingo de sol e chuva
Derramavam seus prantos
Desconsoladas viúvas
Deste verão descompassado
No meu peito repousa o teu sorriso
Ao sul o azul borrado por nuvens inquietas
Ao norte, o sinistro negrume
Soprando o gelo das chuvas de março
Sobre a floresta, um profundo mormaço
Cuidarei dos teus olhos
Por muito tempo.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Um poema ainda existe
l'amour est nécessaire (A procura de uma vida)
Por Antonio Siqueira
![]() |
| Mãos dadas - Acrílico sobre tela - Luiz Dias |
Amar é necessário
Sonhar é navegar no desnecessário
Porém...humano e solitário
Flores e chocolates imaginários
A arte é solitária
Como as canções que faço e nunca canto
O canto íntimo
O poeta e a poesia
se casam à luz do dia
Como o mar encanta as montanhas
E o céu renova a sua fé
Amar é encantar a alma e o mundo
A mulher de uma vida inteira
A procura de uma vida inteira
Solidão derradeira
Suprêma referência das tempestades
A transparência pragmática
Viver a verdade
A realidade
E correr de peito e alma nus
Sabendo que o sol lhe espera
Bem no fim daquela ponte.
Amar é necessário
Como o infinito independe daquele passado que ceifou o dia
E é, assim, intransponível entropia,
Coisa que ninguém separa,
coisa que ninguém sacia
Imagem: Luiz Dias
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Um poema ainda existe e é lírico, cósmico, quântico, eterno ...
Realinhamento
por Antonio Siqueira
Sou um gato que metaboliza o dia e consome a noite vadia...
A luz enche-me os olhos com sua luz fria.
Vejo na escuridão, caminho sobre as águas inundado de paixão,
Criando asas.
Sou aquele cujo o afeto por permanece...
Lírico, cósmico, quântico, eterno coração.
Sou granizo, sou amálgama, sou vulcão.
Vou de encontro ao desconhecido, retorno e resgato o que é meu.
Sou romano, sou etílico, sou cigano, sou plebeu.
Trago de volta as canções,
Miro em tua boca, teu sorriso...
No mar dos teus olhos encontro o meu farol.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Um poema ainda existe e carrega consigo o nome da genialidade
SENILIDADE
Somente o passado tem cabelos negros
Um longo sono escorreu, translúcido
E tomou a forma de um guarda-chuva preto
(treze judeus pairam, imóveis,
acima do ruído de mastigação)
Os chinelos são tatuagens
Indeléveis de um desespero esquecido
Em suas costas, há leitos
Abertos por calos antigos
Que a decomposição insiste em ignorar
Somente o passado tem cabelos negros
O AVANÇO DA TARDE
Tecidos necrosados balançam nas janelas
De uma penumbra apenas entrevista
Como fósseis, não sorriem
Como esteiras rasgam-se com lentidão
Sobre a caixa d’água, o desespero
Ensaia os passos de seu suicídio
A decomposição impõe seu nome
A todos os que se dignam a fitá-lo
As sirenes apitam: cinco horas
Nas bocas, nada mais que bacilos
No meio à avenida, o desespero
Espalha seus miolos violáceos
Pudesse o avanço da tarde
Frear toda e qualquer paciência
E os corpos se amontoariam pelas ruas
SONHO
Imagens esparsas
Contudo sólidas
Derretem na seiva da noite
(onze cavalheiros de azul
um gato de unhas pintadas
meu primo aos sete anos
roubando os cajás do vizinho)
Meus dias passaram,
Incompletos
Algo não veio
E eu o quis
Recupero-o agora, satisfeito
No momento em que os medos criam garras
E os prazeres têm coxas macias
Fernando Toledo
Obra do autor: Todos os Direitos Reservados ® .
ARTE VITAL - 2005-2012
![]() |
| Fernando Toledo |
Somente o passado tem cabelos negros
Um longo sono escorreu, translúcido
E tomou a forma de um guarda-chuva preto
(treze judeus pairam, imóveis,
acima do ruído de mastigação)
Os chinelos são tatuagens
Indeléveis de um desespero esquecido
Em suas costas, há leitos
Abertos por calos antigos
Que a decomposição insiste em ignorar
Somente o passado tem cabelos negros
O AVANÇO DA TARDE
Tecidos necrosados balançam nas janelas
De uma penumbra apenas entrevista
Como fósseis, não sorriem
Como esteiras rasgam-se com lentidão
Sobre a caixa d’água, o desespero
Ensaia os passos de seu suicídio
A decomposição impõe seu nome
A todos os que se dignam a fitá-lo
As sirenes apitam: cinco horas
Nas bocas, nada mais que bacilos
No meio à avenida, o desespero
Espalha seus miolos violáceos
Pudesse o avanço da tarde
Frear toda e qualquer paciência
E os corpos se amontoariam pelas ruas
SONHO
Imagens esparsas
Contudo sólidas
Derretem na seiva da noite
(onze cavalheiros de azul
um gato de unhas pintadas
meu primo aos sete anos
roubando os cajás do vizinho)
Meus dias passaram,
Incompletos
Algo não veio
E eu o quis
Recupero-o agora, satisfeito
No momento em que os medos criam garras
E os prazeres têm coxas macias
Fernando Toledo
Obra do autor: Todos os Direitos Reservados ® .
ARTE VITAL - 2005-2012
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Um poema ainda existe e mora aqui
Meu lugar
Por Antonio Siqueira
![]() |
| @image: Jorge Freitas Lopes - Santiago RS |
O meu lugar é o refúgio de toda as dores
Por vezes é onde moram todas as minhas dores
Às vezes é onde o meu único sol nasce e se esconde
O meu lugar é onde cantam os ciganos enluarados
Os vagabundos revestidos de alma
As canções embebidas de sonhos
De amores
De solidão
De carinho...
O meu lugar é onde choro
Onde o meu sorriso também impera
É onde sua voz chega, macia, reluzente...
É onde meu corpo repousa sobre o teu corpo
É onde teu peito acolhe minha cabeça
E tuas mãos me envolvem e me mostram
Que o infinito é mais próximo do que supomos.
Ilustração: Jorge Freitas Lopes www.jorgefreitaslopes.com
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Um poema ainda existe e fala de estrelas
Supernova
Por Antonio Siqueira
Havia um pedacinho de mim no seu olhar,
Lá bem longe onde o rio surge,
Até onde o mar o acolhe.
Lá... Bem alto,
Onde só o céu espera,
Na ponta das asas e no sorriso dos anjos.
Estrelas em face,
Da cor dos diamantes.
Solfeja
Riqueza
Manhãs que levantam as marés.
O mar usou sua voz para anunciar que tu eras o meu sonho de felicidade.
Mesmo que e a estrela morra
Ainda levarão bilhões de anos
Para que saibamos
Que a eternidade nos espera.
@Musica: "A fala da paixão" de Egberto Gismont - Interprete: Dayana Fontenelle
sábado, 10 de dezembro de 2011
Um poema ainda existe, mesmo que caótico
Caos
Por Antonio Siqueira
![]() |
| "Caos Urbano" de Glauber Shimabukuro |
Nascemos do caos,
de um delírio de corpos se amando,
misto de paixão, suor e prazer.
Nascemos com a imensa necessidade de vida
e o incontrolável desejo da morte,
que ronda nossos passos,
sombra negra
a certeza de partir.
Somos animais hipócritas vestidos de razão,
ocultando em nossas veias o sangue vermelho do instinto.
Cai a minha máscara
e sei que preciso viver a intensidade de cada desejo.
Sentir sem medo de sentir,
caminhar sem medo de errar,
errar sem medo de acertar.
Meu coração adormece sozinho
a chama daquilo que um dia poderia ter sido.
Minha vida espreita o dia de poder
explodir em riso e festa
aquilo que ainda guardo para viver
Moram em mim
outros olhos que me vêem.
Neles existo e não me enxergo.
Tenho os olhos de um animal,
arisco e selvagem.
Farejo minhas vontades,
sacio minha sede
nos rios que correm em outros corpos.
Todos únicos sem serem um;
verdadeiros sem serem reais.
Tenho os olhos do pecado que não existe,
e escorrem por eles
lágrimas do sangue da minha culpa.
Tenho os olhos de versos.
Olhos de alma
que mostram meu coração de vidro,
tão pequeno e frágil,
que brilha e lacera em meu peito
inúmeras feridas
da onde brotam palavras vazias,
palavras vãs,
que eu nunca conseguirei entender.
@image "Caos Urbano" de Glauber Shimabukuro
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Com a palavra (...e os versos):
Pensando em você
Sandra Britto
Pensando em você.
perceba com carinho que
Apesar dos pássaros
o abismo não se converterá.
Precisam ultrapassar.
Divinos!
Que em si guardam
poder em elevar-se.
Seguindo de olhos fechados
ou abertos.
Chegaram companheiro.
*Sandra Britto é professora graduada de História da Humanidade, palestrante e poeta notável.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Um poema ainda existe...Em qualquer estação
Que o sol presente se faça
Por Antonio Siqueira
É preciso o frio
Para que se faça a canção
Aquela que o calor emana dos corpos
A canção do coração maior
É necessário que a alma
Esteja em sintonia
Que o céu possa esperar mais um pouco
Eu escrevi a canção de toda uma vida
E o mundo parou
Pra você cantar
Serei sempre cigano
Sempre que o frio e a lua estiverem juntos
Até que o verão
Presente se faça.
Por Antonio Siqueira
É preciso o frio
Para que se faça a canção
Aquela que o calor emana dos corpos
A canção do coração maior
É necessário que a alma
Esteja em sintonia
Que o céu possa esperar mais um pouco
Eu escrevi a canção de toda uma vida
E o mundo parou
Pra você cantar
Serei sempre cigano
Sempre que o frio e a lua estiverem juntos
Até que o verão
Presente se faça.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Um poema ainda existe e fala de saudade
Também sentimos saudade do que não existiu
Por Antonio Siqueira
![]() |
| By Space Blog |
A ausência diminui as paixões medíocres e eleva as paixões verdadeiras
Assim como o vento apaga as velas,
Mas atiça as fogueiras.
A ausência torna o coração mais amante.
A saudade precisa da distância para crescer.
Debruço-me na sua ausência
Como se o vazio fosse dotado
De ombros largos
Cor
Calor
E pudesse me ouvir ao relento a roçar o ponto mais sensível
Da imensa falta que você me faz.
Conservar algo que possa recordar-te
Seria admitir que eu poderia esquecer-te.
Também temos saudade do que não existiu...
E dói bastante.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Um poema ainda existe
O Beijo da Poesia
Por Antonio Siqueira
![]() |
| @image_antonio_siqueira |
O beijo da poesia vem com cheiro de mar
Te falei do meu amor
Escrevendo nos muros da cidade
Frases que paravam o trânsito
Os transeuntes
E o movimento das marés.
Descobri que os poetas vagam
Que os traga a noite
E tussa-os como um Hollywood mal fumado
- A noite e seus vagalumes mortos -
A manhã traz bem-te-vis viciados
E pardais delinquentes.
Quero ouvir o som que brota dos teus cabelos negros
Quando o vento
- Enfurecido de paixão -
Beija a terra
Tórrida de desejos cataclísmicos
Sonhava eu com Deuses e trovões em tardes de verão.
Meu caminho livre
Às margens de um rio
Calmaria que me conduz aos olhos mansos da fera
Que aguarda ansiosa
O momento de devorar-me.
Foto: Antonio Siqueira
20/02/2011 Barra de Guaratiba-RJ
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Um poema ainda existe e está muito além do longe
Longe
Por Antonio Siqueira
Nasci para te amar
É a minha única certeza
Sigo o sol
As folhas das vinhas do Pacifico
Mar que não é calmo
Oceano de frias correntezas
Mas que se aquece ao sentir seu toque
E ao tocar o mar, toquei o teu corpo
Em terra
Me fiz raiz
Arvore, fruto e flor
Separei com as mãos o teu coração da terra úmida
Tuas entranhas
Tua boca
Teu sorriso
Paralelo constante dos meus dias
Nasci tarde
Pois quando me fiz homem
Tu já eras a mãe de todas as manhãs
Aprendi a amanhecer sem os teus cabelos em meu rosto.
Nasci para te amar
E a minha única certeza
É a de que o meu sono vela o teu
Mesmo longe
Jamais me sentirei só
Até o último pulsar.
Foto: Dayana Fontenelle
Por Antonio Siqueira
![]() |
| Foto: Dayana Fontenelle |
Nasci para te amar
É a minha única certeza
Sigo o sol
As folhas das vinhas do Pacifico
Mar que não é calmo
Oceano de frias correntezas
Mas que se aquece ao sentir seu toque
E ao tocar o mar, toquei o teu corpo
Em terra
Me fiz raiz
Arvore, fruto e flor
Separei com as mãos o teu coração da terra úmida
Tuas entranhas
Tua boca
Teu sorriso
Paralelo constante dos meus dias
Nasci tarde
Pois quando me fiz homem
Tu já eras a mãe de todas as manhãs
Aprendi a amanhecer sem os teus cabelos em meu rosto.
Nasci para te amar
E a minha única certeza
É a de que o meu sono vela o teu
Mesmo longe
Jamais me sentirei só
Até o último pulsar.
Foto: Dayana Fontenelle
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Um poema ainda existe a revelar sonhos belos
Beautiful
Por Antonio Siqueira
Com coisas belas, sonhei a vida inteira
Mulheres
Paisagens
O som dos pássaros
Fazendas 'Vangogueanas'
A serra rasgando o horizonte, maciça... Imponente
O “sim” do amor
Poemas espalhados na mesa do chá das cinco
Alguém sorri na janela
Como uma tela
Um esboço de Vincent
sonhava sim,
Mas não esperava ela
Vestida do sol da tarde.
Não era tarde, era cedo demais
Meus olhos eram como dois girassóis enchendo o ambiente
De um amarelo surreal
Era ela sim!
Natural
Era o mar
A brisa
O sonho
Poderia a lua descer do seu pedestal cósmico
E me beijar desvairada e perdida de amor
Poderia Deus ralhar com vontade
A vontade do amor seria plena
E eu viveria para sonhar com coisas belas.
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