O Quae sunt Caesaris Caesari do futebol brasileiro
por Antonio Siqueira
Se for verdade a noticia que corre à solta pelos meios de comunicação interativos sobre a CBF ter unificado os títulos nacionais, talvez esteja acontecendo o grande acerto de contas que faltava para que o futebol brasileiro se moralize. Principalmente no que diz respeito à preservação da memória de um esporte que é a alegria, não só dos brasileiros, mas de quase 80% da população planetária. Quando criança me perguntava o porquê dos campeonatos brasileiros serem uma verdadeira “casa de tolerância” e as ligas européias... até as confederações sul americanas serem tão organizadas; inclusive preservando a memória e as tradições do futebol em seus respectivos países. Obvio que com o tempo, fui compreendendo os esquemas sujos das entidades regionais e, principalmente, os da antiga CBD; até o que está aí atualmente e chamamos de CBF. Em 1971, incharam o Campeonato Brasileiro e resolveram começar do zero, apagando a história do nosso futebol até 1970. Naquela época, para disputar o Brasileiro, o clube tinha que ser campeão do seu Estado. Era muito mais difícil do que é hoje.
Não é de se espantar que o poder interno fosse tão medíocre ao tentar apagar da memória de santistas e alviverdes o legado de suas histórias. A coisa vem de longe. Basta citar as copas de 1930, 1934 e 1938 em que dirigentes cariocas e paulistas, numa mistura “abortiva” de qualquer progresso, prejudicaram e muito a seleção brasileira nos primódios das copas do mundo. Por mais talentos que surgissem, era impossível sobreviver ao coquetel destrutivo composto por xenofobia, regionalismo e corrupção venal que quase estacionaram o futebol brasileiro na história das copas. Por pouco não enlamearam definitivamente o esporte bretão, recém chegado ao continente, com idéias fascistas. Estão dando a estes clubes o que lhes são de direito sim, mas muito tarde.
Reconhecer Palmeiras e Santos, como os dois grandes campeões do futebol brasileiro é mais que merecido, principalmente para os craques do passado, como Gerson, Ademir da Guia, Rivelino (então no Fluminense campeão da taça de prata em 1970), Dirceu Lopes (o Cruzeiro também fez história na década de 1960), que tanto fizeram por seus clubes e pela história do futebol mundial. Cruzeiro, Fluminense, Botafogo e Bahia também tiveram seus triunfos furtados pela bagunça. O Vasco da Gama tem dois títulos sul americanos, na década de 1940 (conquistados pelo lendário Expresso da Vitória), que equivalem à Taça Libertadores de hoje e que vários times latino americanos contabilizam para suas trajetórias. O Vasco reconhece, mas a Confederação Brasileira de Futebol não. Concedei a eles o que é direito, Domine! No blog do Odir Cunha está a integra de uma satira ao suposto telefonema de Joseph Blater para Dom Ricardo Teixeira que seguem aqui os seus trechos finais:
*_Stop, stop, stop Ricardo!!! Quer dizer que Pelé, Tostão, Rivelino, Gérson, Carlos Alberto, Jairzinho, Zito, Clodoaldo e todos esses jogadores que fizeram do futebol do seu país conhecido e respeitado no mundo inteiro, jogaram essas competições oficiais e você ainda não as homologou, Ricardo. Por que?
_Nosso departamento técnico está estudando, presidente…
_Seu departamento técnico está estudando competições realizadas há 50 anos e que reuniram as melhores gerações de jogadores que o seu país já teve, Ricardo?
_Ãhãhãhãh…
_Ricardo, daqui a quatro anos teremos uma Copa do Mundo aí. O mundo olha o Brasil como o berço do futebol arte, da beleza e da magia do esporte. E olha assim não por você, Ricardo, nem por nenhum dirigente, mas por causa desses jogadores que foram campeões e estão sendo ignorados, desprezados pela sua CBF, Ricardo.
……………….
_Sabe em que ano a Itália teve o seu primeiro campeão?
_??????????
_Em 1896, Ricardo, há 114 anos. E para ser campeão, a Udine fez só dois jogos e ambos no mesmo dia. Mas não importa, Ricardo, era o que podia ser feito. E está nos anais do futebol italiano, com muito orgulho. Vocês têm um futebol tão rico, por que desprezar essa história, Ricardo?
………………
_Vamos tentar fazer uma grande Copa do Mundo aí, Ricardo. Um evento pra cima, alegre, que reverencie o futebol arte. Para isso, Ricardo, preciso ter ao nosso lado os maiores campeões que o seu país já teve. Entendeu, Ricardo? Do you understand, my friend?
_Sim, sim, presidente…
_E o telefone de Zurique foi desligado.*
É complicado gostar do bom futebol e conviver com esses contra-sensos. Mas a justiça, até para uma criatura lodosa como Ricardo Teixeira, acaba prevalecendo. Aos poucos vamos deixando de ser vira-latas aos olhos até do mundo do futebol, que é a nossa cátedra. Nem que demore mais 50 anos, a gente chega lá.
*Errata: Rivelino não jogou no time do Fluminense campeão da taça de prata de 1970 como foi dito de maneira errônea por esse escriba que pensa conhecer a história do futebol. Thanks, Antonio Jorge, meu xará! ;-)
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por Antonio Siqueira
Se for verdade a noticia que corre à solta pelos meios de comunicação interativos sobre a CBF ter unificado os títulos nacionais, talvez esteja acontecendo o grande acerto de contas que faltava para que o futebol brasileiro se moralize. Principalmente no que diz respeito à preservação da memória de um esporte que é a alegria, não só dos brasileiros, mas de quase 80% da população planetária. Quando criança me perguntava o porquê dos campeonatos brasileiros serem uma verdadeira “casa de tolerância” e as ligas européias... até as confederações sul americanas serem tão organizadas; inclusive preservando a memória e as tradições do futebol em seus respectivos países. Obvio que com o tempo, fui compreendendo os esquemas sujos das entidades regionais e, principalmente, os da antiga CBD; até o que está aí atualmente e chamamos de CBF. Em 1971, incharam o Campeonato Brasileiro e resolveram começar do zero, apagando a história do nosso futebol até 1970. Naquela época, para disputar o Brasileiro, o clube tinha que ser campeão do seu Estado. Era muito mais difícil do que é hoje.
Não é de se espantar que o poder interno fosse tão medíocre ao tentar apagar da memória de santistas e alviverdes o legado de suas histórias. A coisa vem de longe. Basta citar as copas de 1930, 1934 e 1938 em que dirigentes cariocas e paulistas, numa mistura “abortiva” de qualquer progresso, prejudicaram e muito a seleção brasileira nos primódios das copas do mundo. Por mais talentos que surgissem, era impossível sobreviver ao coquetel destrutivo composto por xenofobia, regionalismo e corrupção venal que quase estacionaram o futebol brasileiro na história das copas. Por pouco não enlamearam definitivamente o esporte bretão, recém chegado ao continente, com idéias fascistas. Estão dando a estes clubes o que lhes são de direito sim, mas muito tarde.
Reconhecer Palmeiras e Santos, como os dois grandes campeões do futebol brasileiro é mais que merecido, principalmente para os craques do passado, como Gerson, Ademir da Guia, Rivelino (então no Fluminense campeão da taça de prata em 1970), Dirceu Lopes (o Cruzeiro também fez história na década de 1960), que tanto fizeram por seus clubes e pela história do futebol mundial. Cruzeiro, Fluminense, Botafogo e Bahia também tiveram seus triunfos furtados pela bagunça. O Vasco da Gama tem dois títulos sul americanos, na década de 1940 (conquistados pelo lendário Expresso da Vitória), que equivalem à Taça Libertadores de hoje e que vários times latino americanos contabilizam para suas trajetórias. O Vasco reconhece, mas a Confederação Brasileira de Futebol não. Concedei a eles o que é direito, Domine! No blog do Odir Cunha está a integra de uma satira ao suposto telefonema de Joseph Blater para Dom Ricardo Teixeira que seguem aqui os seus trechos finais:
*_Stop, stop, stop Ricardo!!! Quer dizer que Pelé, Tostão, Rivelino, Gérson, Carlos Alberto, Jairzinho, Zito, Clodoaldo e todos esses jogadores que fizeram do futebol do seu país conhecido e respeitado no mundo inteiro, jogaram essas competições oficiais e você ainda não as homologou, Ricardo. Por que?
_Nosso departamento técnico está estudando, presidente…
_Seu departamento técnico está estudando competições realizadas há 50 anos e que reuniram as melhores gerações de jogadores que o seu país já teve, Ricardo?
_Ãhãhãhãh…
_Ricardo, daqui a quatro anos teremos uma Copa do Mundo aí. O mundo olha o Brasil como o berço do futebol arte, da beleza e da magia do esporte. E olha assim não por você, Ricardo, nem por nenhum dirigente, mas por causa desses jogadores que foram campeões e estão sendo ignorados, desprezados pela sua CBF, Ricardo.
……………….
_Sabe em que ano a Itália teve o seu primeiro campeão?
_??????????
_Em 1896, Ricardo, há 114 anos. E para ser campeão, a Udine fez só dois jogos e ambos no mesmo dia. Mas não importa, Ricardo, era o que podia ser feito. E está nos anais do futebol italiano, com muito orgulho. Vocês têm um futebol tão rico, por que desprezar essa história, Ricardo?
………………
_Vamos tentar fazer uma grande Copa do Mundo aí, Ricardo. Um evento pra cima, alegre, que reverencie o futebol arte. Para isso, Ricardo, preciso ter ao nosso lado os maiores campeões que o seu país já teve. Entendeu, Ricardo? Do you understand, my friend?
_Sim, sim, presidente…
_E o telefone de Zurique foi desligado.*
É complicado gostar do bom futebol e conviver com esses contra-sensos. Mas a justiça, até para uma criatura lodosa como Ricardo Teixeira, acaba prevalecendo. Aos poucos vamos deixando de ser vira-latas aos olhos até do mundo do futebol, que é a nossa cátedra. Nem que demore mais 50 anos, a gente chega lá.
*Errata: Rivelino não jogou no time do Fluminense campeão da taça de prata de 1970 como foi dito de maneira errônea por esse escriba que pensa conhecer a história do futebol. Thanks, Antonio Jorge, meu xará! ;-)
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