sexta-feira, 23 de abril de 2010
quinta-feira, 22 de abril de 2010
O infinito existe e tem caras, imagens e nos dá a impressão de uma paz que não existe aqui.
Por Antonio Siqueira
existem luzes no céu desde a minha tenra infância
mas o infinito não me revelava
o que existia naquelas pequenas luzes
um mago, um homem, um olhar...
desde que um genio pôs-se a voar em um conglomerado de caixotes
e outro ser teorizou as milhares de viagens nas asas da luz
a poesia encanta
a poesia acende
a poesia nasce
a poesia morre
a poesia sobe
a poesia desce
e o infinito sempre insiste em nos revelar
Segundo Epitáfio do Infinito
*Infinito... Em que é que pensamos quando ouvimos esta palavra? Em números enormes, incalculáveis, números que nunca mais acabaríamos de contar...? Um céu imenso, sem nunca mais acabar...? Cada um de nós pensará certamente uma coisa diferente, precisamente porque o conceito do infinito não tem por base nenhuma experiência sensível.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Calvin e Haroldo
sábado, 17 de abril de 2010
Nina Simone
quinta-feira, 15 de abril de 2010
O primeiro e único...
A Literatura Surrealista de
O Brasil é um ambiente fecundo de grandes escritores, porém o primeiro grande escritor surrealista surgido aqui foi, sem dúvidas, o mineiro de Urbelândia, Walter Campos de Carvalho. Um escritor desconcertante, avesso à mídia e à glória, esta última, Campos de Carvalho via com grande desprezo e revelava aos mais íntimos, achar medíocre. Advogado formado aos 22 anos e já em São Paulo tinha a vida ligada, quase que integralmente, à literatura, apesar de ter escrito somente seis livros. O mais conhecido, A Lua Vem da Ásia, é um verdadeiro manifesto surrealista. Contam que o escritor baiano, Jorge Amado, após ler este livro em 1956, entrou em uma livraria em Salvador e comprou todo o estoque de exemplares. Estava tão impressionado com o que tinha lido que resolveu mandar exemplares aos amigos. Eis um trecho desta obra:
A trama de A Lua Vem da Ásia se passa num hospício e é repleta de lances hilariantes, como uma tentativa de fuga num Zeppelin envolvendo personagens completamente absurdos. O nome dos capítulos (Capítulo sem Sexo, Capítulo CLXXXIV, Capítulo) e a total ausência de seqüência entre eles (do Capítulo Primeiro pula para o Capítulo 18 graus) dão uma idéia do que espera o leitor. Campos de Carvalho é prazeroso de se ler.
Em 1997, Campos de Carvalho concedeu uma entrevista a uma emissora de TV. Seria esta a primeira e última: Após 40 minutos de um quase monólogo, o entrevistador, desesperado, tentava fazer com que o escritor dissesse algo que fosse além dos três ou quatro monossílabos com que era brindado a cada nova pergunta. E arriscou: O senhor é feliz? Campos de Carvalho olhou para o alto do estúdio, para os lados, para o chão. Após um minuto e meio de um silêncio avassalador, ruidoso, o escritor finalmente respondeu. Não. O entrevistador, visivelmente constrangido, tentou uma saída pela esquerda e emendou: Se o senhor pudesse mudar alguma coisa no mundo, o que mudaria? De novo, um longo silêncio. Um pouco mais leve. E a resposta: Nada.
O autor deixou mais três novelas além de A Lua Vem da Ásia, todas com títulos, digamos, diferenciados: Vaca de Nariz Sutil, A Chuva Imóvel e o Púcaro Búlgaro esta última escrita em 24 dias. Após isso, parou inexplicavelmente de escrever.
Campos de Carvalho morou por mais de 50 anos no bairro de Higienópolis em São Paulo, onde residiu até os últimos dias de vida. Gostava de passear todas as tardes e numa dessas tardes, teve um mal estar súbito. Pouco antes de morrer contou a mulher, Lygia que estava passando mal: “Por causa de um sorvete que tomei”. Este era Walter Campos de Carvalho, talvez o primeiro e último escritor surrealista do Brasil.
Um poema ainda existe...Vinícius para vocês
Epitáfio
Por Vinícius de Moraes
Aqui jaz o SolQue criou a aurora
E deu a luz ao dia
E apascentou a tarde
O mágico pastor
De mãos luminosas
Que fecundou as rosas
E as despetalou.
Aqui jaz o Sol
O andrógino meigo
E violento, que
Possui a forma
De todas as mulheres
E morreu no mar.
Ilustração: Toni D'Agostinho
sexta-feira, 9 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Momento para reflexão
Por Antonio Siqueira
No momento em que eu
iniciava esse artigo, subia para 145 o numero de mortos devido às fortes chuvas que castigam ininterruptamente o Estado do Rio de Janeiro, segundo boletim divulgado pelo Corpo de Bombeiros. Todos foram vitimados por deslizamentos de terra decorrentes da chuva. Ainda há desaparecidos e esse número pode continuar a aumentar. Com mais esse deslizamento ocorrido há algumas horas no Morro do Bumba, no bairro Fonseca em Niterói, chegando aproximadamentete, a um total de 60 pessoas soterradas. O saldo da tragédia ganha contornos de calamidade. Há 72 horas, chove o maior volume de água registrado aqui no Rio, desde que o mundo novo resolveu evoluir e planejar-se urbanisticamente. Pois é, o mundo está agonizando, endossando aqui a Teoria de Gaia de James E. Lovelock. A Terra está, possivelmente, doente e muito irritada. O cientista britânico, juntamente com a bióloga Lynn Margulis, analisaram pesquisas que comparavam a atmosfera da Terra com a de outros planetas, vindo a propor que é a vida da Terra que cria as condições para a sua própria sobrevivência, e não o contrário, como as teorias tradicionais sugerem, isto é a Terra é um organismo vivo, e como todo organismo vivo reage com uma forte febre a qualquer tipo de infecção grave. Parece que o vírus que provoca essa “infecção” somos nós seres humanos e acabaremos sendo eliminados dessa cadeia biológica.
Os nova-iorquinos chamaram Apocalipse II à tempestade de neve que se abateu nestas últimas semanas sobre o noroeste dos Estados Unidos. O primeiro teria sido registrado durante a semana passada. Não é ainda o fim do mundo, mas não deixa de ser um aviso. A concentração humana nas grandes metrópoles, com a perturbação da natureza, agrava as conseqüências dos desastres. Enquanto a neve desaba no Hemisfério Norte, atingindo a região mais densamente povoada e de ocupação pioneira dos Estados Unidos, no Brasil e em outros países do Sul as grandes chuvas fazem desabar as casas pobres e matam impiedosamente. Há também os terremotos, esses males inseparáveis do destino do planeta, posto que a ele congênitos. Mas, também no caso dos terremotos, desde os registrados na Antiguidade, os danos são equivalentes à densidade da ocupação nas áreas atingidas.
A partir do terremoto de Lisboa, ocorrido no dia 1 de novembro de 1755, discute-se essa relação, e o desastre chegou a alimentar a ideia de que a sede do Império deveria deslocar-se para o Brasil. Não há cifras confiáveis, mas se calcula que entre 30 mil e 90 mil pessoas tenham morrido, em uma população de 270 mil. Como relatam os historiadores, o terremoto causou profundo impacto no pensamento europeu. Todas as crenças, filosóficas e religiosas, sofreram grande abalo e, até hoje, filósofos ainda discutem os seus efeitos na razão humana.

A grande discussão que se faz é em torno do chamado “progresso”. Qualquer restrição ao desenvolvimento da técnica, com seus efeitos sobre a natureza, costuma ser considerada atitude reacionária. O mito do progresso infinito, no entanto, se choca com a consciência dos limites da vida humana e dos recursos do mundo. Parece impossível impor rédeas à busca do conhecimento e à aplicação tecnológica das descobertas. O físico brasileiro José Israel Vargas resume o raciocínio em uma frase linear: é impossível “desinventar”. Uma vez descoberto qualquer processo de intervenção na natureza, imediatamente surge seu proveito industrial, isto é, tecnológico. Se aceitarmos esse postulado, o homem pode estar sendo condenado a sucumbir vitimado pela própria razão, a razão que garantiu sua sobrevivência até o momento.
Há os que recusam a tese de que o homem está envenenando o meio ambiente, e atribuem as mudanças climáticas a fenômenos absolutamente naturais, sobre os quais só podemos ter escassa influência, na previsão de sua ocorrência e nas providências que reduzam os seus efeitos. Outros, no entanto, tentam provar que somos os responsáveis pela degradação do meio ambiente e que estamos nos condenando ao extermínio. É melhor considerar que o homem é um ser precário, e sua sobrevivência é ameaçada pelos fenômenos naturais e pela própria insensatez, como a submissão da técnica à ambição do lucro.
Sófocles, em Antígona, depois de manifestar sua profunda admiração pelos inventores, revela seu pessimismo, ao afirmar que eles ultrapassam toda a expectativa, “o talento e habilidade que conduzem o homem ora à luz, ora a malvados conselhos”. Não obstante o seu culto à inteligência e à razão, que levavam os grandes pensadores gregos à certeza de que a tarefa do homem era a de igualar-se aos deuses, havia os que advertiam contra essa presunção. Há sempre, ao lado do fulgor da inteligência, o perigo de que ela nos conduza aos “malvados conselhos”, identificados por Sófocles. Dentro desse raciocínio, a ciência deve estar submetida à razão política, mas isso só ocorrerá, quando formos capazes de dar razão à política, submetê-la à ética do humanismo. Isso significa planejar a vida para todos, buscando a igualdade e a justiça. Por enquanto morrem, sobretudo, os pobres, mas é provável que, diante da intensidade dos desastres, os grandes comecem a pensar de outra forma.
A neve sobre Nova York – onde começam a faltar alimentos – é um aviso, assim como foi o tsunami da Indonésia e o terremoto de Lisboa. Pouco importa se esses desastres – como o terrível terremoto de Porto Príncipe ou o terremoto que arrasou o estreito território chileno, o primeiro com muito mais vítimas do que o de Lisboa – se devem só às terríveis forças cósmicas, ou também ao desvario do homem. O que importa é usar a razão e a ciência na busca da igualdade e da justiça, de forma a que o homem viva melhor, enquanto o mundo existir.
terça-feira, 6 de abril de 2010
terça-feira, 30 de março de 2010
Com a palavra...
uma coisa leva [a] outra
por mariza lourenço*Mariza Lourenço é advogada, escritora e mãe de dois jovems híper talentosos.
sexta-feira, 26 de março de 2010
A própria razão desconhece
De um pé de tamarindo
à mordidez de um Neruda às avessas
Por Antonio Siqueira
Não. Não é exagero literário comparar a linha poética do paraibano de Pau'darco, Augusto dos Anjos a de Pablo Neftali Neruda. A intrínseca relação destas duas vertentes geniais advém de forma bastante prosaica no extremo de um e de outro. A visceralidade dos versos de ambos, não obstante à temática do amor abrasivo, a forma contundente da desilusão e do vinvenciamento de emoções semelhantes. Neruda prima, com versos de urgência magnânima e contumaz o encantamento existencial em todos os pilares da existência humana; do amor, do espírito revolucionário, do ser político. Augusto dos Anjos abala as estruturas do mórbido ao rufar dos corações e mentes traídas. Essa filosofia, fora do contexto europeu em que nascera para Augusto dos Anjos seria a demonstração da realidade que via ao seu redor, com a crise de um modo de produção pré-capitalista, proprietários falindo e ex-escravos na miséria. O mundo seria representado por ele, então, como repleto dessa tragédia, cada ser vivenciando-a no nascimento e na morte. Um personagem constante em seus poemas é um pé de tamarindo que ainda hoje existe no Engenho Pau d'Arco.
Neruda confessou-se em certa feita, amante do único livro de Augusto, EU E OUTRAS POESIAS, editado em 1910. É a reunião do livro "Eu" (publicado em vida) a outras poesias que foram acrescentadas postumamente à obra (seu amigo Órris Soares reescreveu o seu póstumo). Augusto dos Anjos não viveu para conhecer Neruda, pois morreu de pneumonia aos 30 anos em 1914. A antítese das temáticas se encontram, metafisicamente, na narrativa literária. Basta pôr em prática a "Mãe Sensibilidade". Reparem bem nestes versos:
Psicologia de um Vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
Augusto dos Anjos
A DANÇA
Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.
.
Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.
.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
.
Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
Pablo Neruda
Versos Íntimos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Ausgusto dos Anjos
O teu riso
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
Pablo Neruda
Conclúo sem medo de ser contestado que, apesar da cronologia não tão distante, Augusto dos Anjos é, indubitávelmente, um Neruda às avessas.
JOYCE: EXCENTRICO, PORRISTA, FANTÁSTICO...
por Antônio Siqueira
Um dos mais inventivos escritores do século XX, James Joyce publicou Ulisses, um ponto de inflexão na história da literatura, em 1922. Dominando como poucos escritores o uso do monólogo interior, Joyce criou, em sua obra-prima, o monólogo de Molly Bloom, um exemplo perfeito desta técnica que tenta reproduzir a linguagem inconsciente de um personagem.
“(...) então sim pedi com os olhos que voltasse a me pedir e então me pediu e eu queria dizer sim minha flor da montanha e primeiro abracei-o e o trouxe para cima de mim para que pudesse sentir meus seios todos os perfumes sim e o coração que batia igual um louco e sim eu disse sim quero. Sim.” (Trecho de Ulysses)
Embora Joyce tenha vivido fora de seu país natal pela maior parte da vida adulta, suas experiências irlandesas são essenciais para sua obra e fornecem-lhe toda a ambientação e muito da temática. Seu universo ficcional enraíza-se fortemente em Dublin e reflete sua vida familiar e eventos, amizades e inimizades dos tempos de escola e faculdade. Desta forma, ele é ao mesmo tempo um dos mais cosmopolitas e um dos mais particularistas dos autores modernistas de língua inglesa.
JAMES JOYCE (1882-1941), romancista e poeta irlandês cujas perspicácia psicológica e inovadoras técnicas literárias converteram-no em um dos mais importantes escritores do século XX.
Depois do seu primeiro livro de poemas, Música de câmara (1907), e do livro de contos Dublinenses (1914), publicou o romance Retrato do artista quando jovem (1916), quase autobiográfico e no qual utilizou amplamente o monólogo interior.
Alcançou fama mundial em 1922, com a publicação de Ulisses, romance considerado um ponto de inflexão na literatura universal.
Finnegans wake (1939), sua última e mais complexa obra, constitui uma experiência de linguagem que abrange várias línguas. Postumamente, foi lançado, entre outros, Stephen hero (1944), primeira versão de Retrato do artista quando jovem. Em 1968, seu biógrafo, Richard Ellman, publicou um original inédito, Giácomo, obra pequena considerada o antecedente de Ulisses.
Conheci outro genio literário: Fernando Toledo. Acho que um dos poucos seres capazes de decifrar os truques literários do inventivo e excepcional escritor Irlandês. Fernando faleceu a 3 anos e, em póstuma homenagem, chegou a ser cremado com o seu inseparável Ulisses. Tema de muitos debates acirradamente interessantes em nossas longas noitadas filosofais.
Joyce morreu no inverno de 1941, pobre, bêbado e doente num subúrbio de Londres e sua obra atravessou o século XX incólume e se perpetuará por outros tempos, enquanto a ignorãncia dos homens perdurar.
Principais Obras
Música de câmara 1907 Poemas de amor
Dublinenses 1914 Contos
Retrato do artista quando jovem 1916 Romance
Exílios 1918 Peça teatral
Ulysses 1922 Romance
Pomes Penyeach 1927 Poemas
Collected Poems 1936 Poemas
Finnegans Wake 1939 Romance
Imagem: news.minnesota.publicradio.org
quarta-feira, 24 de março de 2010
Progressive Rock
O QUE É O
ROCK PROGRESSIVO BRASIL?
Por Antonio Siqueira
Quem disse que no Brasil não se faz um Rock Progressivo de alta qualidade e fidelidade? Muita gente nova ( e até os contemporaneos do prog) acha. Vou citar aqui algumas perolas do progressivo brasileiro
A Barca do SoL
A Barca Do Sol é uma daquelas raridades que o mundo deveria conhecer e nem mesmo o Brasil conhece direito, com 3 discos na bagagem essa banda maravilhosa mesclou MPB, música de câmara, Rock Progressivo e letras em forma de poesia, vale a pena pra quem curte nosso velho Rock Nacional!!
Saecula Saeculorum
Saecula Saeculorum é uma lendária banda de rock progressivo que foi criada em 1974, no estado do Minas Gerais. A banda era formada por Giacomo Lombardi (piano e voz), José Audisio (guitarras), Bob Walter (bateria), Edson Plá Vieguas (baixo), Juninho (baixo) e, especialmente, pelo renomado violinista Marcus Viana, que depois viria a formar o excelente Sagrado Coração da Terra.
Este álbum “Saecula Saeculorum” foi gravado em 1976 e se trata de um trabalho que segue a linhagem do Symphonic Rock com tendências clássicas muito fortes. Os maiores destaques são o violino e o “great piano” executado com bastante virtuosismo.
A letras são em português, mas, devido a gravação, muitas pessoas não entendem o que é cantado. Não que a gravação esteja ridiculamente ruim. Dá para se ouvir tranquiliamente todos os intrumentos, bem definidos.
A banda acabou em 1977, mas ainda chegou a se apresentar, recentemente, num tributo ao baterista Mário Castelo, porém com uma formação diferente, apenas mantendo Marcus Viana e Giacomo Lombardi.
Este trabalho é altamente recomendável para qualquer amante do rock progressivo, tanto pela virtuosidade por parte de alguns integrantes da banda, como também pela curiosidade dos fatos.
Principais Bandas de Progressivo do Brasil Main Prog Bands of Brazil
A BARCA DO SOL - Prog Folk
ACIDENTE - Prog Related
AETHER - Symphonic Prog
AKASHIC - Progressive Metal
ALEXL - Art Rock
ALGARAVIA - Art Rock
ALPHA III - Symphonic Prog
ANGRA - Progressive Metal
ANIMA DOMINUM - Symphonic Prog
APOCALYPSE - Symphonic Prog
ARAÚJO, MARCO ANTÔNIO - Prog Folk
ARION - Symphonic Prog
ASA DE LUZ - Symphonic Prog
ASHTAR - Prog Folk
ATMOSPHERA - Art Rock
BACAMARTE - Symphonic Prog
BENCHIMOL, SÉRGIO - Art Rock
BLEZQI ZATSAZ - Symphonic Prog
CALIX - Prog Folk
CARTOON - Prog Related
CASA DAS MAQUINAS - Symphonic Prog
CHRONOS MUNDI - Symphonic Prog
CINEMA SHOW - Art Rock
DOGMA - Symphonic Prog
ECLIPSE - Symphonic Prog
GRANDBELL - Symphonic Prog
HADDAD - Neo Progressive
III MILENIO - Symphonic Prog
INDEX - Symphonic Prog
KAIZEN - Symphonic Prog
KHALLICE - Progressive Metal
LEHMEJUM - Jazz Rock/Fusion
LEI SECA - Symphonic Prog
LOCH NESS - Symphonic Prog
MARSICANO, ALBERTO - Indo-Prog/Raga Rock
MINDFLOW - Progressive Metal
MUTANTES, OS - Psychedelic/Space Rock
NAVE - Art Rock
OCTOHPERA - Art Rock
POÇOS & NUVENS - Symphonic Prog
QUANTUM - Symphonic Prog
QUATERNA REQUIEM - Symphonic Prog
RECORDANDO O VALE DAS MAÇÃS - Prog Related
SAECULA SAECULORUM - Symphonic Prog
SAGRADO CORAÇÃO DA TERRA - Symphonic Prog
SATWA - Indo-Prog/Raga Rock
SEMENTE - Psychedelic/Space Rock
SHAAMAN - Progressive Metal
SLEEPWALKER SUN - Progressive Metal
SOLIS - Neo Progressive
SOM IMAGINÁRIO - Psychedelic/Space Rock
SOM NOSSO DE CADA DIA - Art Rock
TARKUS (BR) - Symphonic Prog
TAU CETI - Jazz Rock/Fusion
TELLAH - Art Rock
TEMPUS FUGIT - Symphonic Prog
TERÇO, O - Symphonic Prog
TERRENO BALDIO - Art Rock
TESIS ARSIS - Symphonic Prog
TISARIS - Symphonic Prog
TREM DO FUTURO - Symphonic Prog
VERDAGUER - Jazz Rock/Fusion
VESANIA - Symphonic Prog
VIA LUMINI - Symphonic Prog
VIOLETA DE OUTONO - Psychedelic/Space Rock
ZARG - Art Rock
sábado, 20 de março de 2010
Por Antonio Siqueira

Amor
De espécie rara
calor
Que enlouquece a alma
Rancor
Isso eu ignoro
Paixão
Sem dó, a exploro
razão
Que pouco me importo
Estações
Nunca mais serão as mesmas
Florestas
Para abrigar somente as abêlhas
Sorriso
Encontro um no céu,
Palavras
Aqui na terra uma forma de açoite
Sexo
Alimento da alma
Poesia
Para ler e sorve-la com calma
Fantasia
Na teoria, uma viagem insólita
sexta-feira, 19 de março de 2010
Um som a beira-mar.
toca em Barra de Guaratiba
Por Antonio Siqueira

O Quarteto Mineiro 14 Bis, vem fazendo uma série de shows na Cidade Maravilhosa. Desde meados de Fevereiro, Claudio Venturini (Guitarra e vocais), Vermelho (Teclados e vocais), Sergio Magrão (baixo e vocais) e Hely Rodrigues (Bateria), vêm se apresentando pelas zonas sul, norte e oeste da cidade em companhia dos meninos da Banda Nave de Prata e desfilando seus grandes sucessos, antes da turnê nacional que marcará a volta de Flávio Venturini ao grupo, depois de 22 anos.
O show apresenta musicas do primeiro DVD da banda, lançado em 2008 e alguns números inéditos, como a nova versão de "Eu já fechei os meus olhos", que Cláudio e Vermelho adaptaram em 1992. A banda é de estrada mesmo, pois, segundo Vermelho, tecladista e um dos fundadores do grupo, "as viagens se multiplicam e não nos sobra tempo para mais nada." Que bom que a boa música corre pelo mundo num estilo quase mambembe. Essa é a essência para que a arte aconteça de maneira plena!
O 14 Bis toca hoje (Sexta - 19/04), ás 22 horas, no Theatro de Arena Elza Osborne, e amanhã (sábado, 20/04) na Lona Cultural de Jacarépagua, às 21 horas. O mais interessantes de todos esses shows, com certeza será o show de domingo em praça pública, às 17 horas, no balneário de Barra de Guaratiba, no litoral oeste da cidade. A enseada de BG é belíssima e com o sabor do bucolismo dentro da metrópole do Rio de Janeiro . O lugar é belíssimo e histórico e fica escondido do agito louco da cidade. Barra de Guaratiba é um pedacinho do paraiso ainda, por mais que tentem destruíla, e o 14 Bis, com seus mil sons e tons têm tudo a haver com a paisagem de lá.
Barra de Guaratiba
quinta-feira, 18 de março de 2010
Postagem do antigo blog, a história do The Dark Side of Moom:
do Rock Progressivo
Por Antonio Siqueira

Ao abordar o bom e velho Rock Progressivo, não podemos deixar de falar sobre o Álbum “The Dark Side of The Moon” do Pink Floyd. Esse disco paradoxal aborda os diversos males que atacam o homem moderno, como a ganância, a escravidão, o tempo, o problema da individualidade e a loucura urbana. É, por muitos, considerado o melhor disco de rock progressivo de todos os tempos. Pela genial capa já se nota a que vem o álbum; um prisma que “reflete” um feixe de luz branco abrindo em todas as freqüências de cores “ocultas” em seu interior, uma clara analogia ao trabalho de expôr o homem aos seus próprios males.
Em 1973, apesar do grande sucesso devido aos álbuns anteriores, acreditava-se que o Pink Floyd já havia atingido o ápice musical com seu primeiro LP “Piper at Gates Of Dawn”, que divide com “Sgt. Peppers”, dos Beatles, títulos de pioneirismo do Rock Progressivo. Esperava-se que o Pink Floyd não passasse “daquilo”, já que seu principal integrante na época, o genial compositor, guitarrista, cantor e pintor Syd Barret, havia sido afastado da banda há alguns anos por motivo de loucura (devido à fórmula “cérebro já meio afetado” * LSD³ = “samambaia”). Porém, em março desse ano, na formação Roger Waters (baixo-vocal), Rick Wright (Teclado), Nick Mason (Bateria), David Gilmour (guitarra-vocal) lançam a sua obra prima, superando assim, inesperadamente, o seu primeiro álbum, com quase 30 milhões de cópias vendidas. É um dos três discos mais vendidos do mundo. Soando atualíssimo ainda nos dias de hoje, pois, por incrível que pareça, os seres humanos continuam purgando problemas mais intensos do que 30 anos atrás.
O LP possui algumas curiosidades, como a bizarra coincidência de que colocando o disco para rodar logo após o terceiro rugido do leão da Metro-GoldWyn-Mayer no filme “O Mágico de Oz”, as letras e os sons se encaixam perfeitamente nas imagens da tela. É uma experiência única e comprovada. Cuidado! Sua mãe pode pensar que você é um sujeito muito doido ao lhe ver fazendo isso. Os integrantes da banda dizem que é pura coincidência.
A qualidade de produção impecável, timbres e arranjos muito bem trabalhados, somados a um encaminhamento de músicas em perfeita harmonia, fora o lirismo das composições de Roger Waters, tornam esse álbum musicalmente inesquecível para quem ouvi-lo em sintonia perfeita e concentração em estado puro. Mas o que tornou esse LP uma verdadeira lenda do Rock, é a unidade de suas músicas que faz com que as suas nove faixas sejam entrelaçadas em um só tema (Leia-se Disco Conceitual), como os diversos capítulos de uma única obra temática sobre as “Mazelas dos Humanos”.
A primeira dessas Mazelas é tocada em “Speak to Me Breathe”, que trata do problema de encontrar espaço na sociedade e de como tocar a sua vida de acordo com os problemas que aparecem pela frente. Como diz a música, deixando-se levar por essa cômoda sociedade, você só corre na direção de uma precoce sepultura. A seguir, temos a instrumental “On the Run”, uma viagem lírica Floydiana. Depois dela vêm as sinistras badaladas do relógio “Time”, tratando da escravidão ao tempo o qual todo homem moderno está submetido, e dos momentos perdidos quando não nos enquadramos nesse relógio da sociedade. Aqui, eles parecem nos dizer que não adianta querer domá-lo, o tempo sempre irá passar, cada vez mais rápido. Apesar de tudo que fazemos, sempre ficará a sensação de que o nosso trabalho estará sempre incompleto aos nossos olhos e aos da sociedade moderna. Mas, no final das contas, como diz a música, você estará na realidade, somente “um dia mais perto da morte”.
Dando prosseguimento, o ápice do álbum chega com a bela “The Great Gig In The Sky” que, em meio aos magníficos vocais da cantora Clare Torry, sem dizer sequer uma palavra, nos mostra sensações de desespero, loucura, ternura, solidão e até mesmo saudade. Aqui eles mostram que sentimentos não precisam ser passados em palavras, mesmo porque os sentimentos existem antes mesmo das palavras existirem para podermos nomeá-los. Após esta seção magnífica de música, ouvimos a introdução de caixa registradora da conhecidíssima “Money”. Se o tema do álbum são os males humanos, o dinheiro, mais cedo ou mais tarde, teria que aparecer. De forma satírica, Roger Waters dá sua interpretação do que o dinheiro, o Senhor dos Males Humanos, representa para a sociedade. Ele mostra paradoxalmente, o que todo mundo sabe sobre a submissão que temos a ele. Porém, é quase impossível encontrar alguém qe queira se livrar desse "Mal". É de se notar, também, a muito bem executada performance instrumental dessa música, e o riff de baixo mais conhecido do Rock.
À frente, “Us And Them” trata o problema da solidão, do respeito à individualidade e da ambigüidade das pessoas, gerando problemas de comunicação. Por isso, sendo estopim de tantos desentendimentos e guerras. E finalizando essa, vem o solo do teclado delirante de Rick Wright em “Any Color You Like”, terminando com um duelo de guitarras bem acompanhado pelo baixo, bateria e teclado, preparando seus ouvidos e alma para o “The lunatic is on the Grass...” da “Brain Damage”, uma apologia à loucura. Muitos dizem que essa música é uma linda homenagem do Pink Floyd a Syd Barret, o eterno integrante maluco do Pink Floyd. Nota-se que, pelas referências da música, parece ser mesmo. Fechando o álbum, o “Eclipse” resume todos os aspectos da nossa vida mundana, regida perfeitamente pela grandiosa luz do sol, mas que, ainda assim, é encoberta pela pequena Lua. Como nós, que mesmo ante a grandiosidade da vida, somos encobertos por essas “pequenas” mazelas que nos atormentam.
The Dark Side of the Moom é uma obra filosófica, instrumentalmente criativa, conceitual e fenomenológica, como jamais se viu na música contemporânea. Imortal e atual como o Pink Floyd.
ASSISTA AO VÍDEO:
sexta-feira, 12 de março de 2010
A semana é, de fato, das mulheres....porém;
Mulher: a chave do entendimento humano.
Por Antonio Siqueira
Esta semana está sendo delas desde segunda-feira. Porém, apesar de todo esse glamour feminino, o que assusta são as estatísticas recentes: há cada 5 segundos, uma mulher é agredida físicamente, há cada minuto, uma mulher dá entrada em alguma emergência hospitalar, vítima de espancamento, há cada 1 hora, uma mulher é morta em algum lugar deste país. Por que isso? Por que essa violência sem sentido, torpe e de uma selvageria sem precedentes?
Desde 1968, desde aquela bem bolada queima de soutiens. Numa Paris assolada por greves, revoluções estudantis e mudanças radicais, as mulheres assumiram uma postura de liderança e resolveram enfrentar de peito aberto a selvageria de um mundo restrito aos homens. Mulheres se resumiam ao sacro dever matrimonial. Lavavam, passavam, serviam a seus donos e pariam quase que anualmente. Isso, ao que parece, ainda constitui um baque na tirania masculina.
Na minha humilde opinião e sendo direto, o homem que espanca uma mulher é produto de uma péssima orientação sexual, mediocremente equivocada e cheia de dúvidas do tipo, "Será que é isso que eu quero?", "será que é de mulher que eu gosto, MESMO?" Para mim é simples demais: Homem que bate em mulher, não tem a mínima certeza da sua heterogenia sexual, ainda não se identificou como macho adulto e, numa cadeia, seria a "Maria" de todas as celas. Digo isso sem medo e rindo muito, por que o mundo é das mulheres e meu um pouquinho...também.
























