Ele está entre nós
Por Antônio Siqueira
O eterno Beatle, o compositor que mais vendeu e ganhou direitos autorais na história; o maior fenômeno da musica, longeva e sonoramente; o homem mais popular da musica pop em cinqüenta anos de uma carreira irretocável e que fundou, juntamente com John Winston Lennon, a banda que foi o abre alas para todos os segmentos da musica moderna, não só da musica pop, mas de todos os gêneros e subgêneros: The Beatles. O grande boom da musica contemporânea, o qual ele ainda alicerceia e eterniza com sua marca inconfundível. Sim, ele está novamente entre nós: Sir Paul McCartney, que fez ontem um memorável show em Porto Alegre, num lotado Estádio Beira Rio e tocará nos dias 21 e 22, no Estádio do Morumbi, em São Paulo, 17 anos depois da sua ultima visita ao país.
Não só o eterno beatle, mas o compositor mais aclamado do planeta musica, Paul tem sua verve própria e junto com John Lennon criou 90% do que os “besouros” produziram, com ou sem lendas urbanas (muito comuns numa década sessentista, na qual o mundo ainda engatinhava em tecnologia de comunicação), com ou sem distúrbios e conflitos internos; sua obra está aí, magnífica! É o maior legado que se tem noticia até hoje na musica mundial. Basta dizer que em 1979, o Livro Guinness dos Recordes declarou-o como o compositor musical de maior sucesso da história da música pop mundial de todos os tempos. McCartney teve 29 composições de sua autoria no primeiro lugar das paradas de sucesso dos EUA, vinte das quais junto com os Beatles. Como os outros três membros da banda, McCartney foi agraciado, em 1966 como Membro do Império Britânico. Porém, é o único membro dos Beatles a ostentar o título de "Sir", honraria que lhe foi concedida pela Rainha em 1997. O título de Sir é mais distinto do que o de Membro do Império, por se tratar de um título nobiliárquico de mais alto valor, equivalente a "Cavaleiro do Comandante do Império". Frescuras que não contam no padoxal e prosaico universo da musica, mas que demonstram a sua importância no contexto da terra em que o rock foi reinventado. E ele, o mais musical do quarteto, com simpatia e alegria contagiantes, incluiu o Brasil na sua turnê onde comemora cinqüenta anos de carreira musical e setenta anos que parecem não ter passado.
Os Beatles foram um verdadeiro laboratório de influencias e pesquisas que iam da musica eletrônica à canção folclórica, da musica oriental às mensagens existenciais de suas letras, que comunicavam uma visão filosófica do desconcertante cotidiano existencial. Na segunda metade da década, em LP’s que se transformaram marcos históricos, como Rubber Soul (1965), Revolver (1966) e, principalmente, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967). Eles inauguraram a era do experimentalismo eletrônico na musica pop. Sgt. Pepper’s fundiu a cuca de críticos e músicos daquele tempo e não tardou para que suas tendências entranhassem e influenciassem nos trabalhos de outros artistas. No Brasil, a beatlemania teve uma motivação e um saldo positivo, inspirando artistas baianos e, de forma épica, um certo grupo de mineiros inspiradíssimos nas décadas de 1970 e 1980.
Com o fim da banda, que teve diversas especulações, mas que na realidade foi a velha guerra de egos, cada um deu seu vôo solo. Lennon vinha com uma carreira consolidada e consagrada, até ser assassinado com quatro tiros por um lunático chamado David Chapman, que tirava plantão em frente ao Edifício Dakota, onde ele morava em Nova Iorque, esperando a hora de matar parte do sonho de uma juventude e destruir um dos maiores gênios musicais que já surgiram.
Em seu primeiro álbum após o fim do Beatles, Paul escreveu todas as canções, gravou todos os instrumentos (Paul é um multi-instrumentista fantástico) e produziu o disco em um estúdio particular de sua casa, com a primeira mulher Linda fazendo os vocais de apoio. O disco foi considerado caseiro demais para os críticos, mas mesmo assim McCartney conseguiu fazer sucesso com as belíssimas "Maybe I'm Amazed" e "Every Night". Em 1971, McCartney lançaria o compacto Another Day, que simplesmente explodiu. Ainda no mesmo ano, junto com Linda, lançou outro álbum solo, Ram, com alfinetadas ao seu ex-parceiro musical, John Lennon como na canção "Too Many People". Não tardaria para John replicar com a canção "How Do You Sleep?" atacando McCartney. Meras baixarias que, na realidade, não passavam de jogadas de um markenting desnecessário, pois a qualidade e a aceitação do trabalho de ambos se nivelavam muito acima desses clichezinhos medíocres. Paul e Lennon eram estratosféricos.
Depois vieram Band on the Run, eleito o disco do ano, apresentando hits como Jet e a faixa-título, já com a banda Wings; Venus and Mars, Wings at the Speed of Sound com a canção "Silly Love Songs", em resposta a provocação de John Lennon em "How dou you sleep?" do álbum Imagine; uma turnê mundial que originou o álbum Wings Over America. Em1977, a canção "Mull of Kintyre" se tornou o grande sucesso de Paul McCartney em parceria com Denny Laine. London Town, seu disco mais vendido que trouxe o sucesso "With A Little Luck"; Back to the Egg , um épico álbum que contou com a participação de Pete Townshend (The Who), David Gilmour (Pink Floyd), John Paul Jones e John Bonham (ambos do Led Zeppelin) nas canções "Rockestra Theme" e "So Glad to See You Here" e McCartney II, com ênfase em sintetizadores ao invés de guitarras. A maravilhosa "Coming Up" atingiu o segundo lugar na Inglaterra e primeiro nos Estados Unidos., e a não menos bela "Waterfalls" foi outro Top 10 da revista Rolling Stones. Tug of War, de 1982, marcou a reunião com o produtor dos Beatles, George Martin, e com Ringo Starr. McCartney cantou neste álbum em dueto, com Stevie Wonder, "Ebony and Ivory" um dos maiores hits de sua carreira. No mesmo ano, Paul gravou uma canção com o megastar pop, na ocasião um emergente nas paradas, Michael Jackson ("The Girl is Mine"), que foi lançada no álbum de Michael, Thriller.
E vieram outros e mais outros êxitos comerciais que rederam valores astronômicos ao musico mais rico do mundo, dono da maior fortuna da Word Music. Um divorcio de Paul rendeu mais de 1 bilhão de libras esterlinas por causa de uma pulada de cerca. A pobre mocinha ainda recebe uma pensão que nem vem ao caso especular. Paul é a musica e experimentou de tudo nesta mesma musica. Culturas de diversas sonoridades, clássicos, folks, blues, jazz, para depois rotularmos de pop experimental. Musica não tem rotulo ou gênero específico, musica é universal, mas nós que escrevemos sobre ela, sentimos essa obrigação tribal de seguir clichês, se quisermos sobreviver.

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Por Antônio Siqueira
O eterno Beatle, o compositor que mais vendeu e ganhou direitos autorais na história; o maior fenômeno da musica, longeva e sonoramente; o homem mais popular da musica pop em cinqüenta anos de uma carreira irretocável e que fundou, juntamente com John Winston Lennon, a banda que foi o abre alas para todos os segmentos da musica moderna, não só da musica pop, mas de todos os gêneros e subgêneros: The Beatles. O grande boom da musica contemporânea, o qual ele ainda alicerceia e eterniza com sua marca inconfundível. Sim, ele está novamente entre nós: Sir Paul McCartney, que fez ontem um memorável show em Porto Alegre, num lotado Estádio Beira Rio e tocará nos dias 21 e 22, no Estádio do Morumbi, em São Paulo, 17 anos depois da sua ultima visita ao país.
Não só o eterno beatle, mas o compositor mais aclamado do planeta musica, Paul tem sua verve própria e junto com John Lennon criou 90% do que os “besouros” produziram, com ou sem lendas urbanas (muito comuns numa década sessentista, na qual o mundo ainda engatinhava em tecnologia de comunicação), com ou sem distúrbios e conflitos internos; sua obra está aí, magnífica! É o maior legado que se tem noticia até hoje na musica mundial. Basta dizer que em 1979, o Livro Guinness dos Recordes declarou-o como o compositor musical de maior sucesso da história da música pop mundial de todos os tempos. McCartney teve 29 composições de sua autoria no primeiro lugar das paradas de sucesso dos EUA, vinte das quais junto com os Beatles. Como os outros três membros da banda, McCartney foi agraciado, em 1966 como Membro do Império Britânico. Porém, é o único membro dos Beatles a ostentar o título de "Sir", honraria que lhe foi concedida pela Rainha em 1997. O título de Sir é mais distinto do que o de Membro do Império, por se tratar de um título nobiliárquico de mais alto valor, equivalente a "Cavaleiro do Comandante do Império". Frescuras que não contam no padoxal e prosaico universo da musica, mas que demonstram a sua importância no contexto da terra em que o rock foi reinventado. E ele, o mais musical do quarteto, com simpatia e alegria contagiantes, incluiu o Brasil na sua turnê onde comemora cinqüenta anos de carreira musical e setenta anos que parecem não ter passado.
Os Beatles foram um verdadeiro laboratório de influencias e pesquisas que iam da musica eletrônica à canção folclórica, da musica oriental às mensagens existenciais de suas letras, que comunicavam uma visão filosófica do desconcertante cotidiano existencial. Na segunda metade da década, em LP’s que se transformaram marcos históricos, como Rubber Soul (1965), Revolver (1966) e, principalmente, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967). Eles inauguraram a era do experimentalismo eletrônico na musica pop. Sgt. Pepper’s fundiu a cuca de críticos e músicos daquele tempo e não tardou para que suas tendências entranhassem e influenciassem nos trabalhos de outros artistas. No Brasil, a beatlemania teve uma motivação e um saldo positivo, inspirando artistas baianos e, de forma épica, um certo grupo de mineiros inspiradíssimos nas décadas de 1970 e 1980.
Com o fim da banda, que teve diversas especulações, mas que na realidade foi a velha guerra de egos, cada um deu seu vôo solo. Lennon vinha com uma carreira consolidada e consagrada, até ser assassinado com quatro tiros por um lunático chamado David Chapman, que tirava plantão em frente ao Edifício Dakota, onde ele morava em Nova Iorque, esperando a hora de matar parte do sonho de uma juventude e destruir um dos maiores gênios musicais que já surgiram.
Em seu primeiro álbum após o fim do Beatles, Paul escreveu todas as canções, gravou todos os instrumentos (Paul é um multi-instrumentista fantástico) e produziu o disco em um estúdio particular de sua casa, com a primeira mulher Linda fazendo os vocais de apoio. O disco foi considerado caseiro demais para os críticos, mas mesmo assim McCartney conseguiu fazer sucesso com as belíssimas "Maybe I'm Amazed" e "Every Night". Em 1971, McCartney lançaria o compacto Another Day, que simplesmente explodiu. Ainda no mesmo ano, junto com Linda, lançou outro álbum solo, Ram, com alfinetadas ao seu ex-parceiro musical, John Lennon como na canção "Too Many People". Não tardaria para John replicar com a canção "How Do You Sleep?" atacando McCartney. Meras baixarias que, na realidade, não passavam de jogadas de um markenting desnecessário, pois a qualidade e a aceitação do trabalho de ambos se nivelavam muito acima desses clichezinhos medíocres. Paul e Lennon eram estratosféricos.
Depois vieram Band on the Run, eleito o disco do ano, apresentando hits como Jet e a faixa-título, já com a banda Wings; Venus and Mars, Wings at the Speed of Sound com a canção "Silly Love Songs", em resposta a provocação de John Lennon em "How dou you sleep?" do álbum Imagine; uma turnê mundial que originou o álbum Wings Over America. Em1977, a canção "Mull of Kintyre" se tornou o grande sucesso de Paul McCartney em parceria com Denny Laine. London Town, seu disco mais vendido que trouxe o sucesso "With A Little Luck"; Back to the Egg , um épico álbum que contou com a participação de Pete Townshend (The Who), David Gilmour (Pink Floyd), John Paul Jones e John Bonham (ambos do Led Zeppelin) nas canções "Rockestra Theme" e "So Glad to See You Here" e McCartney II, com ênfase em sintetizadores ao invés de guitarras. A maravilhosa "Coming Up" atingiu o segundo lugar na Inglaterra e primeiro nos Estados Unidos., e a não menos bela "Waterfalls" foi outro Top 10 da revista Rolling Stones. Tug of War, de 1982, marcou a reunião com o produtor dos Beatles, George Martin, e com Ringo Starr. McCartney cantou neste álbum em dueto, com Stevie Wonder, "Ebony and Ivory" um dos maiores hits de sua carreira. No mesmo ano, Paul gravou uma canção com o megastar pop, na ocasião um emergente nas paradas, Michael Jackson ("The Girl is Mine"), que foi lançada no álbum de Michael, Thriller.
E vieram outros e mais outros êxitos comerciais que rederam valores astronômicos ao musico mais rico do mundo, dono da maior fortuna da Word Music. Um divorcio de Paul rendeu mais de 1 bilhão de libras esterlinas por causa de uma pulada de cerca. A pobre mocinha ainda recebe uma pensão que nem vem ao caso especular. Paul é a musica e experimentou de tudo nesta mesma musica. Culturas de diversas sonoridades, clássicos, folks, blues, jazz, para depois rotularmos de pop experimental. Musica não tem rotulo ou gênero específico, musica é universal, mas nós que escrevemos sobre ela, sentimos essa obrigação tribal de seguir clichês, se quisermos sobreviver.
Hey Jude - Paul McCartney & Elthon John
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