terça-feira, 3 de abril de 2012

Clube da Esquina: Uma crônica musicultural



  Parte II

A música magnífica de Minas para o mundo
Por Antonio Siqueira





A capa
O ano era 1972 e um caldeirão musicultural de gêneros e segmentos da era pós Beatles surgia e fazia emergir uma leva fantástica de músicos notáveis e geniais. O Rock Progressivo e o Rock Metal davam as cartas e bandas como Genesis, Yes, CrimCrimsom, Led Zeppelin, Deep Purple, Emerson Lake and Palmer, Pink Floyd e Queen inseriam os primeiros acordes de uma era de ouro. O, surpreendente LP Sargent Pepper’s Lonely Heart Club Band, gravado em 1966 e considerado um divisor de águas na carreira dos Rapazes de Liverpool e na história do rock era a revolução; Este álbum possuía uma forte influencia do movimento psicodélico e abriria os portais para o ProgRock, detonando assim, uma ogiva de criatividade inesgotável na Word Music. Só para lembrar; Jimmy Hendrix faria trabalhos excepcionais influenciado por estas experiências lisérgicas, um deles; “Are you experienced”, seu primeiro álbum, seria um primor em técnica e virtuosismo. Porém, a musica psicodélica britânica se mostraria mais experimental e instigante do que a norte-americana, influenciando toda uma geração de músicos que acabou por desembocar no Rock Progressivo (fusão perfeita entre o rock e a musica erudita) destes anos 1970.

        Em 1971, na bela Minas Gerais, um grupo de talento incontestável, capitaneado pelo jovem Milton Nascimento, começava a mudar os rumos da Musica Popular Contemporânea. Milton já freqüentava diversos palcos, já havia traçado a sua “Travessia” na companhia de outro jovem poeta, Fernando Brant, já havia conquistado seu lugar entre os grandes gênios da primeira arte na segunda metade da década de 1960 ao fazer o Maracanãzinho lotado cantar e se emocionar em uníssono soltando, com ele, a voz nas estradas. Talvez, um encontro com o menino Lô Borges (na época com apenas 14 anos e que já se mostrava um melodista maduro e de extrema criatividade) nas escadas do Edifício Levy, tenha acendido uma chama sem pavio. Mas o que se sucedeu a partir dos encontros com esses amigos ilustres e já músicos fantásticos, viria se transformar em um dos movimentos musiculturais mais importantes dos dois últimos séculos.


        Desde o final dos anos 1960 e no início dos 70, a peça teatral, o livro, o filme, o disco, enfim o produto cultural que os sensores semi-alfabetizados julgassem inadequado ao momento político e ofensivo ao Estado seria proibido e seus autores ficariam sob a estreita vigilância do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social). Envolvidos nessas condições político-jurídicas, os Rapazes de Belo Horizonte começavam a confeccionar o som que mudaria a cara da MPB Moderna. Paralelo à sua carreira já bem sucedida, Milton continuou freqüentando um pequeno boteco situado na esquina da Rua Divinópolis com a Rua Paraisópolis, no bairro de Santa Tereza, onde com os amigos Lô, Marcio e família Borges, Toninho Horta, Fernando Brant, Beto Guedes, Helvius Vilela, Eumir Deodato entre outros que apareciam com seus instrumentos e muita sede de musica e bom papo, criariam o que Dona Maricota Borges chamaria de Clube da Esquina.



O disco


        No ano de 1971, a rapaziada do Clube Mineiro já havia composto um número de canções que pretendiam lançar num álbum duplo, coisa rara nestes tempos.  A Tropicália já havia sido devorada pelos predadores do período jurássico ditatorial, mas o talento inquestionável dos letristas deste projeto épico trataria de dizimar quaisquer  fossem esses contextos censurais. Com letras de teor político existencial e profundeza intrínsecos (observa-se uma forte influência sartreana nas letras de Márdio borges e Fernando Brant) e harmonias divinamente elaboradas, o álbum duplo Clube da Esquina seria gravado no Rio de Janeiro em estúdio preparado exclusivamente para os cavaleiros da revolução musical daquela década de incertezas. Mar Azul, praia próxima à Piratininga, no belíssimo litoral niteroiense, seria o cenário da casa em que se deu vida e sonoridade com sensíveis requintes de sofisticação a esta obra-prima da musica universal. Disse Jose Geraldo Castro Moreira, o Vermelho, tecladista e arranjador do 14 Bis, em recente conversa com este articulista, sobre a experiência da primeira audição do LP Clube da Esquina: "A impressão foi maravilhosa ao ouvir 2 musicas deste disco, ainda num gravador de fita alta qualidade na casa do Milton, então em Copacabana, com Beto Guedes que me apresentou "San Vicente" e "Girassol". Tocou baixo em ambas, Beto é excelente baixista; além do vocal na 2a faixa. Quase caí de costas, - só não foi mais porque além de ouvir de novo e de novo, nao queriamos acordar Bituca, que dormia no quarto ao lado, acho..."  Depoimentos assim não são raros sobre este disco épico.


As gravações
 Produzido por Milton Miranda, com direção musical de Lindolfo Gaya, orquestrado pelos geniais maestros Eumir Deodato e Wagner Tiso e com regência do Monstro Sagrado, Paulo Moura; Clube da Esquina foi gravado em quatro pistas, isto é: a maioria das gravações era no “pau”. Não havia, pelo menos aqui em terras nacionais, recursos em 12 ou mais canais para a elaboração das faixas. Quase todas as musicas foram tocadas de uma vez só, o que, de certa forma, deu ainda mais vitalidade e veracidade às gravações. Beto Guedes, jovem e promissor multi-instrumentista na flor de seus 19, 20 anos de idade, participou de praticamente todas as faixas, tocando guitarra, baixo e percussão; e ainda cantando nas faixas Saídas e Bandeiras nº1 e nº2 (Milton Nascimento e Fernando Brant) e Nada Será como Antes (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos). Beto ainda foi prestimoso nos vocais de diversas faixas ao longo dos trabalhos. Tavito, exímio violeiro das 12 cordas, deu vida aos arranjos de Tiso e Deodato, tendo participação também destacada em diversas musicas do disco. Toninho Horta, que não demoraria a ser reconhecido no mundo como um dos top 10 guitarristas da Word Music e do jazz, simplesmente arrebenta e também mostrou ao que veio principalmente nas guitarras que deram o peso necessário às faixas como “Trem de Doido” (Lô e Marcio Borges), “Trem Azul” (Lô Borges e Ronaldo Bastos), “San Vicente” (Milton e Fernando Brant) e “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo” (obra-prima do menino Lô Borges e do “nerudeano” Márcio Hildon Borges).


Criatividade
O álbum proporcionou momentos belíssimos como a interpretação épica do clássico “Cais” (Milton e Ronaldo Bastos); a orquestração genial de Wagner Tiso e a regência refinada de Paulo Moura construíram a magnitude do single e eternizaram uma das músicas mais belas do cancioneiro brasileiro. “Me deixa em paz” (da nata do samba carioca e autoria de Monsueto e Ayrton Amorim) teve a participação preciosa da diva do samba canção, Alaíde Costa e considerada por muitos um dos maiores momentos da canção brasileira. Milton e Alaíde brincaram com suas vozes de outro mundo e o primeiro mostrou ao Brasil que mineiro toca e canta o samba e o choro com destreza notável. O Clube teve, ao todo, 20 gravações com composições divididas irmamente entre Milton Nascimento e o jovem, na época com 18 anos recém completados, Lô Borges. Lô também dividiu a autoria do álbum ao lado de Bituca e não parou mais. “Nuvem Cigana” de autoria de Lô e de seu irmão Márcio, parecia prever naqueles versos belíssimos na voz de Milton, o que seria a trajetória do garoto prodígio das harmonias ousadas, repletas de beleza e rebeldia em doses perfeitas. Fernando Brant e Ronaldo Bastos criaram letras maravilhosas, mas, talvez, Márcio Borges  tenha escrito as letras de maior impacto e também escreveria seu nome na galeria dos maiores poetas da musica contemporânea. Um disco repleto de estilos, de idéias, de músicos fantásticos... Um disco que seria o grande divisor de águas do que seria, dali em diante a musica popular brasileira e, em amplo espectro, a canção popular latino americana. Canções como “Dos Cruces” (Carmelo Larrea), “Os Povos” (Milton Nascimento e Márcio Borges), “Cravo e canela” (Milton e Ronaldo Bastos) e “San Vicente” (Milton e Brant) demonstraram essa filosofia sem fronteiras e atraíram a admiração de artistas celebres como Violeta Parra, Vitor Jara, Pablo Milanez, Mercedes Sosa, Silvio Rodriguez entre outros hermanos.

      O “Discão duplo” ganhou o mundo! Remasterizado em Abbey Road no anos de 1994 e com sua capa que trazia os, então meninos, Cacau e Totonho (fotografados por Cafi na companhia de Ronaldo Bastos em uma estradinha de terra nas proximidades de Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro, próximo de onde moravam os pais adotivos de Milton Nascimento e recentemente descobertos já adultos) numa alusão a Milton Nascimento e Lô Borges, e numa explosão de criatividade que jamais se viu na MPB Moderna e, talvez, raramente tenha se registrado pelo mundo da música algo semelhante ao fenômeno ocorrido naquele 1972. Clube da Esquina levou a musica mineira para o mundo, criou clássicos eternos da canção popular nacional, lançou nomes e preciosidades para a grandiosa e eterna galeria estelar como Lô Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, Wagner Tiso, Márcio Borges, Fernando Brant, Ronaldo Bastos e, brevemente revelaria; Tavinho Moura, Flávio Venturini, Vermelho, Claudio Venturini, Sergio Magrão, Hely Rodrigues, Zé Eduardo, Tavito, Nelson Ângelo, Robertinho Silva e sua família de gênios percussivos e mais uma leva de artistas nos anos que sucederam-se àquela célula inicial, que elevariam ainda mais o nível da MPB. Como costuma dizer a jornalista Leda Nagle, mineira de Divinópolis e carioca de alma e formação: “O Milton Nascimento é como uma Kombi que só embarcam coisas boas.” Eu diria que Milton é como uma nuvem cigana, Leda... Na qual só pairam e fazem morada, os grandes astros deste imenso céu que ainda é a Música Popular Brasileira de qualidade.


Clube da Esquina (1972)


Produtor Fonográfico:
Indústrias Elétricas e Musicais Fábrica Odeon S/A
Lado Um

   1. "Tudo Que Você Podia Ser" (Lô Borges, Márcio Borges) – 2:56
      Interpretação: Milton Nascimento
   2. "Cais" (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos) – 2:45
      Interpretação: Milton Nascimento
   3. "O Trem Azul" (Lô Borges, Ronaldo Bastos) – 4:05
      Interpretação: Lô Borges
   4. "Saídas e Bandeiras nº 1" (Milton Nascimento, Fernando Brant) – 0:45
      Interpretação: Beto Guedes e Milton Nascimento
   5. "Nuvem Cigana" (Lô Borges, Ronaldo Bastos) – 3:00
      Interpretação: Milton Nascimento
   6. "Cravo e Canela" (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos) – 2:32
      Interpretação: Lô Borges e Milton Nascimento

Lado Dois
   1. "Dos Cruces" (Carmelo Larrea) – 5:22
      Interpretação: Milton Nascimento
   2. "Um Girassol da Cor do Seu Cabelo" (Lô Borges, Márcio Borges) – 4:13
      Interpretação: Lô Borges
   3. "San Vicente" (Milton Nascimento, Fernando Brant) – 2:47
      Interpretação: Milton Nascimento
   4. "Estrelas" (Lô Borges, Márcio Borges) – 0:29
      Interpretação: Lô Borges
   5. "Clube da Esquina nº 2" (Milton Nascimento, Lô Borges, Márcio Borges) – 3:39
      Interpretação: Milton Nascimento

Lado Três

   1. "Paisagem da Janela" (Lô Borges, Fernando Brant) – 2:58
      Interpretação: Lô Borges
   2. "Me Deixa em Paz" (Monsueto, Ayrton Amorim) – 3:06
      Interpretação: Alaíde Costa e Milton Nascimento
   3. "Os Povos" (Milton Nascimento, Márcio Borges) – 4:31
      Interpretação: Milton Nascimento
   4. "Saídas e Bandeiras nº 2" (Milton Nascimento, Fernando Brant) – 1:31
      Interpretação: Beto Guedes e Milton Nascimento
   5. "Um Gosto de Sol" (Milton Nascimento, Fernando Brant) – 4:21
      Interpretação: Milton Nascimento

Lado Quatro

   1. "Pelo Amor de Deus" (Milton Nascimento, Fernando Brant) – 2:06
      Interpretação: Milton Nascimento
   2. "Lilia" (Milton Nascimento) – 2:34
      Interpretação: Milton Nascimento
   3. "Trem de Doido" (Lô Borges, Márcio Borges) – 3:58
      Interpretação: Lô Borges
   4. "Nada Será Como Antes" (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos) – 3:24
      Interpretação: Beto Guedes e Milton Nascimento
   5. "Ao Que Vai Nascer" (Milton Nascimento, Fernando Brant) – 3:21
      Interpretação: Milton Nascimento


Ficha técnica do discão

Diretor de Produção: Milton Miranda
Diretor Musical: Lindolfo Gaya
Orquestradores: Eumir Deodato e Wagner Tiso
Regente: Paulo Moura
Diretor Técnico: Z. J. Merky
Técnico de Gravação: Nivaldo, Jorge e Zilmar
Técnico de Laboratório: Reny R. Lippi
Lay-out: Gafi
Fotos: Cafi e Juvenal

Músicos:
Lô Borges – violão
Tavito – Guitarra de 12 cordas e violão
Toninho Horta – Guitarra e baixo
Nelson Ângelo – Guitarra, surdo e piano
Wagner Tiso – Órgão e piano elétrico
Beto Guedes – Baixo e guitarra
Robertinho Silva- Bateria
Luiz - Caxixi
Rubinho - Tumbadora


********* English Version*************


The magnificent music to the world of Minas
By Antonio Siqueira

     The year was
1972 and a melting pot of genres and musicultural segments of the post Beatles came and did emerge takes a fantastic and brilliant notable musicians. The Rock and Progressive Metal Rock gave the letters and bands like Genesis, Yes, CrimCrimsom, Led Zeppelin, Deep Purple, Emerson Lake and Palmer, Pink Floyd and Queen inserted the first chords of a golden age. The surprising LP Sargent Pepper's Lonely Heart Club Band, recorded in 1966 and considered a watershed in the career of the Boys from Liverpool and in rock history was revolution; This album had a strong influence of the psychedelic movement and open the gates to ProgRock, triggering thus an inexhaustible creativity warhead in Word Music. Just to remember, Jimmy Hendrix would do exceptional work lysergic influenced by these experiences, one of them, "Are You Experienced", their first album was a masterpiece in technique and virtuosity. However, the British psychedelic music would prove to be more experimental and provocative than the U.S., influencing an entire generation of musicians which eventually flows into the Progressive Rock (perfect fusion between rock and classical music) of the 1970s.


     In 1971, the beautiful Minas Gerais, a group of undeniable talent, led by the young Milton Nascimento, began to change the course of Contemporary Popular Music. Milton had attended various stages, had drawn his "Crossing" in the company of another young poet, Fernando Brant, had already earned his place among the great geniuses of the first art in the second half of the 1960s to make Maracanãzinho packed singing and be moved in unison dropping with him, the voice on the roads. Perhaps a meeting with the boy Lô Borges (then only 14 and already showed a melodist mature and highly imaginative) on the steps of Building Levy, has lit a flame without a wick. But what happened from the meetings with these illustrious friends and have fantastic musicians, would become one of the cultural movements of the most important music of the last two centuries.

        
Since the late 1960s and early '70s, the play, book, film, disk, and finally the cultural product that sensors semi-literate judged inappropriate for the political moment and offensive to the state would be banned and their authors would under the close supervision of DOPS (Department of Political and Social Order). Involved in these political and legal conditions, the Boys of Belo Horizonte began to fabricate the sound that would change the face of modern MPB. Parallel to his already successful career, Milton continued attending a small pub located on the corner of Divinópolis with Paraisópolis Street in the neighborhood of Santa Teresa, where Lô with friends, family and Marcio Borges, Toninho Horta, Brant, Beto Guedes , Helvius Vilela, Eumir Deodato and others who appeared with their instruments and thirsty music and good conversation, which would create
lady Maricota Borges and Clube da Esquina.


The album


        
In 1971, the Mining Club of the guys had a number of songs they wanted to release a double album, a rare thing these days. Tropicalia had already been devoured by the predators of the Jurassic period dictatorship, but the unquestionable talent of the songwriters of this epic project would try to wipe out any of these contexts were censurais. With letters of political content and depth intrinsic existential (there is a strong influence on Sartre's letters Márdio Borges and Fernando Brant) and divinely elaborate harmonies, the double album Clube da Esquina was recorded in Rio de Janeiro studio prepared exclusively for riders the musical revolution of the decade of uncertainty. Mar Azul beach near the Piratininga in the beautiful coastal Niterói, would be the scene of the house in which they gave life and sensitive sound with touches of sophistication to this masterpiece of music universal. I would say, keyboardist and arranger of the 14 Bis, in a recent conversation with this correspondent, about the experience of first hearing of the Corner Club LP: "The impression was wonderful to hear two songs on this disc, even a tape recorder in the house of quality Milton, then in Copacabana, with Beto Guedes, who introduced me to "San Vicente" and "Sunflower." He touched down in both, bassist Beto is excellent, beyond the second vocal track. I nearly fell on his back, - not only because it was more than to hear again and again, not wanted to wake Bituca, who slept in the next room, I think ... " Statements like this are not rare on this epic album.


     Produced by Milton Miranda, with musical direction by Lindolfo Gaya, orchestrated by brilliant maestro Eumir Deodato and Wagner Tiso and regency of Sacred Monsters, Paulo Moura, Clube da Esquina was recorded on four tracks, ie: most of the recordings was "stick ". There was, at least here on national lands, resources 12 or more channels for the preparation of the tracks. Almost all the songs were played at once, which, somehow, still has more vitality and truth to the recordings. Beto Guedes, promising young multi-instrumentalist in the flower of their 19, 20 years old, participated in almost all the bands, playing guitar, bass and percussion, and still singing in bands Outputs and Flags No. 1 and No. 2 (Milton Nascimento and Fernando Brant) and nothing will be as before (Milton Nascimento and Ronaldo Bastos). Bob was still on vocals prestimoso several bands over the work. Tavito, expert of the 12-string guitarist, gave life to the arrangements of Tiso and Deodato, with participation also highlighted in several songs on the disc. Toninho Horta, who would soon be recognized worldwide as one of the top 10 guitarists of Word Music and Jazz, simply bursts and also showed the guitars that came mainly in giving the necessary weight to tracks like "Crazy Train" (Moe and Marcio Borges), "Blue Train" (Borges and Ronaldo Bastos), "San Vicente" (Milton and Fernando Brant) and "A Sunflower Color Your Hair" (a masterpiece of the boy and Borges' in nerudean" MarcioHildon Márcio Borges).

      The album yielded beautiful moments as the interpretation of the classic epic "Pier" (Milton and Ronaldo Bastos), brilliant orchestration and conducting Wagner Tiso refined Paulo Moura built the magnitude of the single and eternalized one of the most beautiful music of the Brazilian songbook. "Leave me alone" (the cream of the samba and authoring Monsueto and Ayrton Amorim) was attended precious diva boxers, Alaíde Coast and considered by many one of the greatest moments of Brazilian music. Alaíde Milton and played with their voices from another world and first in Brazil showed that mining plays and sings samba and choro with remarkable dexterity. The Club had, in total, 20 recordings with compositions irmamente divided between Milton and Young, who was then 18 years recently completed, Lô Borges. Moe also shared the authorship of the album alongside Bituca and never stopped. "Cloud Gypsy" written by Lô and Marcio his brother, seemed to predict those beautiful verses in the voice of Milton, which would be the trajectory of the child prodigy of daring harmonies, full of beauty and rebellion in perfect doses. Brant and Ronaldo Bastos created wonderful letters, but, perhaps, Márcio Borges has written the lyrics of greatest impact and also write his name in the gallery of the greatest poets of contemporary music. A disk full of styles, ideas, fantastic musicians ... A disc that was the great watershed of what would henceforth the Brazilian popular music, and broad spectrum, the Latin American popular song. Songs like "Dos Cruces" (Carmelo Larrea), "The People" (Milton Nascimento and Marcio Borges), "Clove and Cinnamon" (Milton and Ronaldo Bastos) and "San Vicente" (Milton and Brant) demonstrated this philosophy without borders and attracted the admiration of artists celebrated as Violeta Parra, Victor Jara, Pablo Milanez, Mercedes Sosa, Silvio Rodriguez and other siblings.

      
The "double álbum" won the world! With its cover which featured the then boys, Cocoa and Totonho (photographed by CAFI in the company of Ronaldo Bastos on a dirt road near New Fribourg, mountainous region of Rio de Janeiro, where they lived close to the adoptive parents of Milton and recently discovered as adults) in an allusion to Milton Nascimento and Lô Borges, and an explosion of creativity ever seen in modern MPB, and perhaps has rarely been recorded by the music world something similar to the phenomenon that occurred in 1972. Club Corner led the music for the mining company, created timeless classics of the national popular song, released names and treasure to the great and eternal star gallery as Lô Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, Wagner Tiso, Márcio Borges, Fernando Brant, Ronaldo Bastos and soon reveal; Tavinho Moura, Flavio Venturini, Red, Claudio Venturini, Sergio Magrão Hely Rodrigues, Zé Eduardo, Tavito, Nelson Angelo, Robby Smith and his family of geniuses and over a percussive wave of artists in the years that followed- up to that initial cell, which would increase further the level of MPB. As they say the journalist Leda Nagle, mining and Divinópolis carioca soul and training: "The Milton is like boarding a van that only good things." I would say that Milton Roma is like a cloud, Leda ... In which only hover and do address, the big stars of this immense sky still the Brazilian popular music quality.Clube da Esquina (1972)Phonographic Producer:Electric and Musical Industries Factory Odeon A / SSide A


The Songs

Side one

 
1. "Everything You Could Be" (Lô Borges, Márcio Borges) - 2:56

      
Interpretation: Milton Nascimento

   
2. "Pier" (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos) - 2:45

      
Interpretation: Milton Nascimento

   
3. "The Blue Train" (Lô Borges, Ronaldo Bastos) - 4:05

      
Interpretation: Lô Borges

   
4. "Exits and Flags No. 1" (Milton Nascimento, Fernando Brant) - 0:45

      
Interpretation: Beto Guedes and Milton

   
5. "Cloud Gypsy" (Lô Borges, Ronaldo Bastos) - 3:00

      
Interpretation: Milton Nascimento

   
6. "Cravo e Canela" (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos) - 2:32

      
Interpretation: Milton Nascimento and Lô Borges

Side Two


   
1. "Dos Cruces" (Carmelo Larrea) - 5:22

      
Interpretation: Milton Nascimento

   
2. "A Sunflower Color Your Hair" (Lô Borges, Márcio Borges) - 4:13

      
Interpretation: Lô Borges

   
3. "San Vicente" (Milton Nascimento, Fernando Brant) - 2:47

      
Interpretation: Milton Nascimento

   
4. "Stars" (Lô Borges, Márcio Borges) - 0:29

      
Interpretation: Lô Borges

   
5. "Clube da Esquina No. 2" (Milton, Lô Borges, Márcio Borges) - 3:39

      
Interpretation: Milton Nascimento


Side Three


   
1. "Nature's Window" (Lô Borges, Fernando Brant) - 2:58

      
Interpretation: Lô Borges

   
2. "Leave Me in Peace" (Monsueto, Ayrton Amorim) - 3:06

      
Interpretation: Alaíde Costa and Milton Nascimento

   
3. "The People" (Milton Nascimento, Marcio Borges) - 4:31

      
Interpretation: Milton Nascimento

   
4. "Exits and Flags No. 2" (Milton Nascimento, Fernando Brant) - 1:31

      
Interpretation: Beto Guedes and Milton

   
5. "A Taste of the Sun" (Milton Nascimento, Fernando Brant) - 4:21

      
Interpretation: Milton Nascimento


Side Four


   
1. "For the Love of God" (Milton Nascimento, Fernando Brant) - 2:06

      
Interpretation: Milton Nascimento

   
2. "Lilia" (Milton Nascimento) - 2:34

      
Interpretation: Milton Nascimento

   
3. "Crazy Train" (Lô Borges, Márcio Borges) - 3:58

      
Interpretation: Lô Borges

   
4. "Is Nothing Like Before" (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos) - 3:24

      
Interpretation: Beto Guedes and Milton

   
5. "When You Will Sunrise" (Milton Nascimento, Fernando Brant) - 3:21    
     Interpretation: Milton Nascimento




Datasheet album


Production Director: Milton Miranda
Musical Director: Lindolfo Gaya
Orchestrators: Eumir Deodato and Wagner Tiso

Ruler: Paulo Moura
Technical Director: Z.
J. Merky
Recording Technician: Nivaldo, Jorge and Zilmar

Laboratory Technician: Reny R.
LippiLay-out: FATFPhotos: CAFI and Juvenal



Musicians:
Lô Borges - guitar
Tavito - 12-string guitar and guitar

Toninho Horta - Guitar and bass

Nelson Angelo - Guitar,
Deaf and piano
organ and electric piano - Wagner Tiso
Beto Guedes - Bass and guitar, percussion, vocals

Robertinho Silva -Drums
- Caxixi
Rubens - tumbadora




Clube da Esquina - 40 anos de um sonho que não envelhece








 

* Peço desculpas aos leitores pela primeira postagem que não foi lá estas coisas.
   Devidamente corrigido e revisado, o texto agora possui duas versões, uma em
   português e uma segunda, abaixo, em inglês.
   Um abraço a todos e tenham uma boa leitura.

* I apologize to readers for the first post that there was not these things.
    Duly corrected and revised, the text now has two versions, one in
    Portuguese and a second, below, in English.
    A hug to all and have a good read.





11 comentários:

Anônimo disse...

Quero parabenizar o blog por este maravilhoso texto.

Marco Antônio de Lucca

Márcia Cristina disse...

Aplausos,Toninho!
Tens talento nato.
O que escreves aqui, merece ser lido por todos que apreciam o que há de melhor na música e na história.
Uma viagem sublime...
Parabéns!
E esse vídeo,arrepia a alma.
Lágrimas me vêm aos olhos...
Lindo!!
Beijão, da sua eterna admiradora.

Celso Lins disse...

Aqui está descrita e narrada a importância que um único disco pode ter para a história de toda uma geração.

Dayana disse...

A gente costuma ler tantos absurdos acerca deste movimento tão belo que ao acabar de ler uma crônica tão esplendorosa como esta dá vontade de chorar de emoção. Classificam até como "gênero" e você, genial como sempre, chama acertadamente de Crônica Cultural (ou musicultural).
Eu amo este blog!

Dayana

Anônimo disse...

formidável!!!! simples assim.

Osvaldir Sodré da Silva disse...

Contemporâneo do clube, é assaz interessante observar sua capacidade de traduzir uma época que não vivenciou, e gerar de sua sensibilidade,(nos teclados do computador), traduzindo na mais pura expressão da verdade, que nem sempre a mídia traduz. Parabéns, com louvor.
E.T. Acredito que precisamos hoje de reinaugurar o clube, pelo que a mídia nos impõe.

Anônimo disse...

Matéria maravilhosa!
Viva a musica popular brasileira ;-)

Nana

Anônimo disse...

o que dizer sobre uma matéria como esta?
apenas aprecia-la, ler, re-ler...enfim, estamos com tudo.

Marcelo - RJ

Anônimo disse...

Excellent review
This history of this famous album brings with it the history of music in the world.
This movement attracted to you American musicians as Miles Davis and Wayne Shorter.
Thanks
Eric Calvin

Antonio Siqueira disse...

Agradeço as manifestações dos queridos amigos deste blog. O "Clube da Esquina" é um divisor de águas, uma revolução sim. Inclusive as 'cabeças' principais deste universo vasto de musica e cultura não têm a noção exata do que criaram, rs.
Melhor assim.
Valeu gente. :)

*******

Thank you dear friends of the manifestations of this blog. The "Clube da Esquina" is a watershed, but a revolution. Even the 'heads' main this vast universe of music and culture are not aware of exactly what created it, lol.
Just as well.
Thanks people.

Celso Lins disse...

eu é que te agradeço!

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