terça-feira, 2 de agosto de 2011

Uma breve história do Rock

Quando o Rock'n Roll ninava os seus prodígios
     Por Antonio Siqueira





   












      Os anos de 1953 e 1956 foram decisivos para o rock and roll, por que nessa época ele começou a ser aceito como um fato na cultura universal e, a partir daí, evoluiu e desenvolveu-se em diferentes aspectos e estilos, variando conforme as regiões em que era tocado.

      Charlie Gillet, autor do livro Sounds of The City, um dos mais importantes pesquisadores do assunto, separou e caracterizou cinco estilos. Apesar de algumas pessoas afirmarem haver outras variações, além dessas, basicamente foi através delas que o rock evoluiu. E todas elas evoluiram das danças negras contemporâneas, a exemplo do jitterburb.

       Os cinco estilos separados por Charlie Gillet são:

     - Northern Band Rock and Roll - Esse estilo sempre procurou o êxito das bandas que tocavam rhythm'n'blues. A música de Bill Halley foi uma estranha mutação do country western e do blues negro intensificado pelo "clapping rhythm" (palmas) para marcar a percussão com a ajuda do baixo.

    - New Orleans Dance Blues - Era um som exclusivamente negro. Os maiores expoentes desse tipo de rock foram Fats Domino e Little Richard. O ritmo desse estilo não é tão forte como o do Northern, mas os cantores se sobressaem mais.

     - Memphis Country Rock (ou Rockabily) - É uma mistura de vários estilos, integrando o rhythm'n'blues com o country western e criando uma forma muito mais consistente e original do que a versão de Halley para o Northern Band Rock and Roll. A Sun Records foi o principal veículo de divulgação do Rockabilly. Nesse estilo, os compassos eram mais livres e os cantores mais pessoais nas interpretações, mas a diferença fundamental estava no instrumental, executados bem acima do intérprete. Outro detalhe é que nunca foi usado o saxofone. Dos que se destacaram nesse estilo, temos Elvis Presley, Carl Perkins e Jerry Lee Lewis.

    - Chicago Rhytm'n'Blues - Chicago é a capital mundial do blues. O rhytm'n'blues é uma combinação da nova música que surgiu em Chicago a partir dos anos 50 (o rock and roll e o antigo blues trazido pelos negros que migraram do Mississipi). A gravadora Chess, que até 1955 só gravava blues tradicional, tinha na sua lista de contratados dois bluesman que tocavam guitarra e se envolveram com o rock and roll: Chuck Berry e Bo Diddley. Chuck Berry conseguiu sintetizar o blues e o balanço de Memphis e a guitarra de Bo Diddley consistia num ritmo do gênero "shuffle" tirado de uma batida africana.

     - Vocal Group Rock and Roll - Esse estilo foi um fenômeno antigo e estritamente local, no sentido de que só foi conhecido e popular em maior escala dentro dos Estados Unidos. A principal característica desse estilo é a harmonia vocal. Os grupos vocais negros foram os primeiros a quebrar as barreiras raciais em TV e rádio. Desses grupos, o mais famoso foi The Platters. Nos anos 50, chegaram a existir cerca de 7.000 grupos vocais nos EUA, mas a grande maioria não saiu do anonimato. Dentre os que fizeram sucesso, também figuram os Drifters, Coasters, Penguins e Moonglows.

    É difícil determinar quando o termo rock and roll surgiu. Mas de uma coisa podemos ter certeza: ele sempre esteve impregnado de uma conotação sexual. No blues, pode ser encontrado em letras de músicas desde o início do século. Rock Me Baby, um blues antigo gravado entre outros por B. B. King, Joe Turner, Blue Cheer e Jefferson Airplane, traz em sua letra versos como: "rock me baby, rock me all night long …/rock me baby, rock me all night long …/'cause when you rock and roll me, my back ain't got a bone …

    O tom sexual e libidinoso da expressão está implícito e é claro. Tanto "rock" quanto "roll", na gíria dos negros americanos, significa trepar. Rock Me Baby (me embale, nenê) inverte o sentido do verbo e do ato de embalar a criança, o bebê (baby) que, no caso, designa a garota, a namorada, num tom carinhoso de tratamento. Rock & Roll, vertido para o português, numa expressão livre, daria então "deite & role".

     A segunda explicação, que completa a primeira, vem de um provérbio inglês que dizia "pedra (rock) que rola não cria musgo". Isso foi retomado na década de 50 numa letra de música de outro blueseiro, Muddy Waters, para culminar na música, de Bob Dylan, no próprio nome do grupo Rolling Stones e na revista de rock americana de mesmo nome.

     Em 1948, Roy Brown gravou Good Rockin' Tonight (mais tarde regravada por Elvis Presley) e, apesar de manter o compasso do blues, alterou o estilo triste para um acompanhamento mais acelerado e frenético, com um toque dos cantos religiosos negros, mais gritados que sussurrados. Essa versão rápida de blues deu lugar ao que se chamou de rhythm and blues (r & b) e que mais tarde seria intepretado por cantores brancos e fundido com o rock and roll.

    Em 1951, Gunther Lee Carr gravou uma canção chamada We're Gonna Rock, onde abandonava totalmente a implicação sexual do termo. Um ano mais tarde, Alan Freed batizou seu programa de Moondgo's Rock'n'Roll Party, o que acabou definindo a expressão como designativa de um tipo específico de música.

     Foi o próprio Freed que organizou o primeiro concerto de rock and roll (1953), ocasião em que apareceram mais de 30 mil pessoas num local com capacidade para no máximo 10 mil, o que tornou o evento inviável, sendo cancelado. Nesse mesmo ano, o concerto foi reorganizado e acabou se transformando num grande sucesso, com participação de Big Joe Turner, Fats Domino, The Moonglows e The Drifters, Na platéria, mais de dois terços da audiência era composta por jovens brancos, o que provava a atração do público branco pela música negra.

    No fim de 1953, quando o mercado negro representava menos de 6% das vendas totais de discos nos Estados Unidos, os brancos começaram a farejar o potencial da música negra no mercado branco e os distribuidores de juke-box se apressaram em colocar discos rock and roll nas máquinas, para compensar a ausência nas rádios em geral.

    Quando Alan Freed usou a expressão rock and roll pela primeira vez, estava se referindo à música já existente, o rhythm'n'blues. Porém, o r & b significava música negra feita por negros para os negros e rock and roll já designava uma música aceita por todos e acessível a todos. Era o gênero nascendo forte, ninando e acarinhando seus primogênitos.





Rock Me Baby-BB King/Eric Clapton/Buddy Guy/Jim Vaughn



4 comentários:

Anônimo disse...

Então, o rock não errou.
Bela matéria, mestre!
Abração

Marcelo - RJ

mariza disse...

artigo jóia!!!
Antonioni entende muito de rock.

Anônimo disse...

É rock na veia e no coração como um todo, meu amigo!

Allan

Dayana disse...

Perfeito!

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