quinta-feira, 21 de julho de 2011

Com a palavra...

A sociedade no vale-tudo!
 Por Luiz Felipe Leite












     O mundo é uma selva. Os animais, no nosso caso, os seres humanos, vivem em constante conflito, com o mais forte subjugando o mais fraco, e se adaptando para sobreviver frente às condições adversas oferecidas pela natureza. Então, no final das contas, vale tudo? Será que o ser humano está tão viciado em vencer, a ponto de exterminar seu adversário, sem ao menos pensar na conseqüência de seus atos?

     Para ilustrar a situação, vamos a um caso ocorrido esta semana, envolvendo dois dos maiores clubes de futebol do país e um jogador argentino. Nos últimos meses, a Sociedade Esportiva Palmeiras assinou um pré-contrato com o atacante Martinuccio, destaque da equipe do Peñarol, que voltou a uma decisão da Copa Libertadores da América após mais de duas décadas.

     Esse documento foi completamente desconsiderado pelo time do Fluminense, que assinou com o jogador. Agora, quem está errado nessa história? O Palmeiras foi o bobo da corte, o Fluminense foi sacana, ou o jogador que foi premeditado? Ou os três?

     Para mim, o jogador é o principal responsável por essa situação. Mesmo se o clube carioca insistisse na sua contratação, a decisão final é de Martinuccio. Quando um não quer, dois não fazem, dizem os mais velhos. O Flu ainda assumiu um compromisso arriscado, assinando com o argentino: A quebra do pré-contrato recai em um valor de R$ 50 milhões, que, claro, o jogador não deve dispor no momento, muito menos o Tricolor. Os dirigentes do clube paulista devem estar dando risada, enquanto os do carioca rezando para um milagre evitar essa degola nas finanças.

     A conclusão dessa história pode responder aos questionamentos no começo deste texto. O caráter está acima ou abaixo do ganho financeiro? O fato de assumir um compromisso hoje, significa que o mesmo será cumprido amanhã? Esses desvios de caráter não são exclusivos dos jogadores de futebol, muito menos dos políticos. São situações que individualizam ainda mais a sociedade, já exposta aos excessos do liberalismo, tanto na economia, quando na estrutura social em si. É uma pena.


* Luiz Felipe Leite tem 20 anos, é estudante do 6º semestre de Comunicação Social e Jornalismo na UNIMEP - Universidade Metodista de Piracicaba.
É colaborador do Jornal Lance, escreve o blog  Fala Ligeira  e publica a coluna "
Com a Palavra" todas as quintas-feiras aqui no Arte Vital, engrandecendo ainda mais este espaço.


4 comentários:

Antonio Siqueira disse...

Antigamente, nos tempos idos de gênios como Pelé e grande Cia e, os que pude ver de perto, como Roberto Dinamite e Zico, jogava-se por amor mesmo. Ganhavam até bem, mas amava-se muito o futebol. Da geração de Romário, Bebeto entre outros para cá, os mercenários surgiram como erva ruim. À pouco tempo Ronaldinho Gaucho e seu irmão salafraríssimo, protagonizaram um teatro de horrores envolvendo, dentre outros clubes, o Palmeiras. O caso desse Argentinozinho meia-boca não me surpreende...São todos medíocremente desonestos e o torcedor um retardado mental em estado comatoso.

Anônimo disse...

O Futebol no Brasil sempre foi essa bagunça de dirigente não se entender com jogador na hora de tomar decisões contratuais. O Argentino não tem culpa, isso aqui é uma zona!

Marcelo - RJ

Anônimo disse...

O futebol moderno, como chamam... nada mais é do que um comércio sujo e desrespeitoso com os que acompanham.
É clube se vendendo a empresários... é empresários se vendendo por contratos e acertos a jogadores de ponta... um verdadeiro leilão.
E com promessas de salários absurdos, o que se vê no Brasil, são clubes super endividados com débitos impagáveis... sendo herdados pelas futuras gestões já falidas.

Aliás, no início do ano tivemos este episódio patético... o exemplo das maiores 'presepadas esportivas' da temporada; quando Ronaldinho, A$$i$ e Milan chamaram a imprensa... pararam a mídia nacional e fizeram as torcidas do Grêmio, Flamengo e Palmeiras ficarem de plantão. Acho que a do Timão também... pra mim não existe santo nessa história!
Na verdade, quem sofre mesmo é o torcedor que é movido por esta paixão indescritível que é o futebol.

Neide Oliveira.

mariza disse...

se não havia cláusula de retratação, dois foram os culpados, o jogador e o time carioca. mas o tricolor sempre poderá alegar boa-fé e desconhecimento do pré-contrato, o que naturalmente só faria sentido se o documento fosse sigiloso e a ele não tivesse sido dada publicidade. aliás, tô falando um monte de besteira porque desconhecia até agora essa notícia.
desde que o mundo é mundo, sempre prevaleceu o vale-tudo, vide as batalhas de antes e depois de cristo. selvagerias puras em nome do poder, da glória, do ouro, da religião e bla bla bla.
o ser humano é movido pela ambição. o animal sem raciocínio é movido pelo instinto de sobrevivência.
pensando bem, pensar é uma grande 'merda', né?
lembro-me do quanto era bonito ver jogadores guerreando dentro de um campo nas condições mais adversas. era amor tocando a bola. hoje é só comércio, é uma coisa feia impulsionada por milhares de reais, dólares e euros. ninguém mais veste camisa de clube com orgulho, o que se vê é jogador em anúncio de contratação vestindo dinheiro, não importa a cor: verde, vermelha, branca ou preta. credo.
mas a gente continua torcendo, fazer o quê? entre os combustíveis que nos alimentam, também está o da paixão.
bom artigo, Felipinho.
beijos da mamis.

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