quarta-feira, 11 de junho de 2014

Vai ter Copa, futebol é arte e a arte é vital

No País do Futebol, contra sensos,
críticas, desestruturas e a bola vai rolar

Por Antonio Siqueira

Antonio_Siqueira











A Copa do Mundo chega agora como um contrassenso, apesar da paixão nacional que a envolve e apesar de tudo e mais alguma consideração em relação ao futebol brasileiro. Poder-se-iam justificar os gastos com um torneio de poucos dias aproveitando-se da meia dúzia de bons estádios que existem no país. Revitalizados ou “embelezados”, atenderiam a Copa como se deu na África do Sul.

De sexta-feira até domingo as seleções que disputarão a Copa fizeram amistosos em várias partes do mundo. Raramente jogadores se empenham muito em partidas não oficiais e quando se trata de véspera de um Mundial, aí que têm mais cautela ainda. Principalmente com tantos cortes de última hora que estamos assistindo. Partidas que não servem para nenhuma conclusão em relação aos enfrentamentos oficiais.

Por exemplo, a França goleou a Jamaica ontem por 8 a 0; os reservas da Itália golearam o Fluminense em Volta Redonda, numa chuva de gols em ritmo de treino; Portugal sem Cristiano Ronaldo venceu o México por 1 a 0, com muita dificuldade, mas e daí?

Na história das Copas, de 1950 para cá as seleções apontadas como favoritas eram sempre as mesmas: Brasil, Argentina, Alemanha e Itália, verdadeiros "Clubes Fechados". Em 1998 a França entrou neste seleto grupo e em 2010 a Espanha. Dessas, só a francesa não chega entre as favoritas, mas corre por fora, junto com a Holanda.

Também em todo mundial a imprensa aponta a provável “surpresa”. Em 2006 vi companheiros apostando que a República Tcheca seria a grande novidade, com chances reais de chegar à final. Saiu na primeira fase.




Logo_Copa_Via_Rede

Bola da vez. Este ano a bola da vez é a Bélgica. Tem gente boa demais apostando nela. Veremos até onde irá. Há quem diga que a Inglaterra e Portugal podem ir longe. Pela ordem, acredito que o campeão sairá de Brasil, Argentina, Alemanha, Espanha, Itália ou, aí uma opinião bastante pessoal, o Uruguay, sim, porquê não? Perto de casa, com um time experiente e com a mística da vitória de 64 anos atrás, não é para ser desprezado de forma alguma. Entendo que os argentinos vêm com vontade especial, por razões óbvias, além dos excelentes jogadores.

Virtudes, defeitos. Brasil e Alemanha são as seleções cujos críticos enxergam menos pontos fracos. Da Argentina fala-se que a defesa é fraca e continua sem um goleiro à altura. O técnico Sabella também achava isso, tanto que vem fazendo muitos testes e há cinco jogos o time não toma gols. Da Espanha diz-se que o time “envelheceu” e não traz mais surpresas.





Do jeito dela. A Itália é a incógnita de sempre, vem indefinida, desacreditada, mas acaba chegando. Em 1982 eliminou a seleção apontada como campeã desde os primeiros jogos; o inesquecível time de Zico e Cia. comandado por Telê Santana; em 2006 foi campeã em cima da favorita França, de Zidane.

Chances perdidas. Seria ótimo ver mais uma seleção entre essas campeãs mais de uma vez e sempre apontadas como favoritas. A Holanda chegou a três finais, em duas, com times superiores aos adversários, e perdeu, em 1974 para a Alemanha e 1978 para a Argentina. Em 2010 havia equilíbrio com a Espanha e desperdiçou. Mas, o atual time não dá boas expectativas.




Notas e Copas


Faltam acabamentos, mas o campo tá bom :/_foto:Antonio_Siqueira@





















A Copa das Copas (sic) e as Olimpíadas de 2016 são bons exemplos. Quando Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, fez pesadas críticas à organização da Copa, foi contestado com indignação. Nas entrelinhas dos maus bofes das autoridades brasileiras, lia-se uma irritação ampliada pelo fato de ter sido um gringo quem revelou que o rei estava nu. Como ousa? John Coates, vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional, desabafou para jornalistas: os preparativos para os Jogos Olímpicos de 2016, programados para o Rio de Janeiro, são os piores que ele já viu. À falta de bons argumentos, foi rebatido com bazófias pelo prefeito do Rio. Mais um gringo atrevido. Agora, sejamos honestos: onde é que Jérôme e John erraram?

Moreira Franco, o maior ladrão do erário público que o Estado do Rio de Janeiro já registrou em seus autos históricos de "bandidos do colarinho branco", Ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, estava na inauguração de uma parte das reformas do aeroporto de Brasília. No discurso de inauguração, relatou que um passageiro, impressionado com as novas instalações, disse que “nem parece o Brasil”. Blasfêmia! Foi o bastante para despertar a ira presidencial.

Quem já teve o desprazer de frequentar o aeroporto do Galeão (me recuso a chamá-lo de Tom Jobim; o maestro não merecia esta ofensa), sabe o que é o inferno. Sinalização precária, escadas rolantes e elevadores em permanente manutenção, banheiros indecentes, demora irritante nas esteiras de bagagens. A escolha do Brasil para sediar a Copa foi há sete anos. Será pouco tempo para colocar um aeroporto em condições dignas de funcionamento? Agora se corre para dar uma maquiada e enganar os trouxas. O Rio de Janeiro não está no Brasil? O passageiro de Brasília já deve ter passado pelo Rio e seu espanto é mais do que justificado. Planejamento chinfrim é conosco.


“Não fui assaltado”

Alexi Lalas, ex-zagueiro da seleção americana de futebol, chegou ao Rio e fez uma brincadeira na internet. “Já se passaram 24 horas e não fui assaltado”. Pegou mal. As reações foram tão virulentas que ele foi forçado a se retratar. Faz lembrar uma genial tira do Quino, criador da Mafalda. Numa tela de cinema, aparece a célebre cena da Corrida do Ouro. Chaplin, desesperado de fome, come os cadarços de seus sapatos como se fossem macarrão. Na plateia, três camadas de espectadores. No balcão nobre, a burguesia ria-se a bandeiras despregadas. Logo acima, a classe média remediada ensaia um riso sem convicção. Em seguida, o povão, que quase chora (eles sabiam o que era fome).

Quando se fala de violência aqui no Rio, nossos rostos são como os do povão da tira. O Lalas pode ter  exagerado... No entanto… Por que os prédios no Rio são gradeados? Em 2012, o Brasil bateu seu recorde histórico de homicídios. Dá para dizer aos turistas que chegam para a Copa que se sintam seguros? Só mesmo na cabeça verde-amarela dos Cândidos ou com o exército nas ruas.

Enquanto isso, obras inacabadas continuam a ser inauguradas, carimbando o atestado de incompetência dos nossos planejadores. A Baía de Guanabara, palco de esportes aquáticos em 2016, continua sendo um imenso esgoto, no qual são despejados 6 mil litros de porcaria a cada segundo. Se um velejador cair naquelas águas fétidas, periga virar um Godzilla fecal.


Vai ter Copa SIM! Portanto, com as devidas diferenças de junho de 2013 para este junho de 2014, liguem a tv, vejam seus jogos, sejamos "filhos" hiberbes de um Presidencialismo Corrupto que estimula o super faturamento, sem pensar que o Alianza Arena de Monique Alemanha custou 300 milhões de Euros e com teto retrátil e o 'bom velhinho' Maracanã custou 1,5 Bi para ser reformado. Como diria Luiz Inácio, "Isso sai na Urina!"



O futebol brasileiro é arte
de essência rodrigueana, veja só: Final de 1970 na íntegra







O Arte Vital Blog reconhece que o futebol é arte e abre seus trabalhos para a Copa de 2014.

7 comentários:

Anônimo disse...

Lúcido seu texto, com verdades, com a realidade que nos envolve. Mas é difícil demais não se envolver. Vamos aguardar o que vem pela frente.

Marcelo

Anônimo disse...

Não tenho o menor problema em dizer: não somos uma Alemanha, nem uma Inglaterra. Em certos sentidos, ainda bem. Em outros, lamento. Gostaria que os equipamentos urbanos respeitassem os cidadãos, que o transporte público fosse eficiente, que o atendimento às necessidades básicas não fosse a indecência que conhecemos. Por falar em Alemanha e Inglaterra, um dado alarmante. Nos últimos 25 anos, o desmatamento na floresta amazônica dobrou. A área desmatada equivale ao triplo da área do Reino Unido e ao dobro da Alemanha.

Melhor que bravatas patrioteiras, potencializadas por eventos como os que o Brasil sediará, seria identificar e reconhecer nossos gravíssimos problemas. Ditos por gringos ou não. Isso é irrelevante … e preconceituoso.

Roberto Lamas

Anônimo disse...

“Por quê os prédios do Rio de Janeiro são gradeados?”, pergunta o autor. Gradeados são todos os prédios e casas de todas as cidades, vilas e vilarejos, povoados e povoações de nosso país, exceto aquelas que, por absoluta falta de recursos dos de seus moradores, ficam à mercê da sorte ou aos cuidados dos anjos. Hoje, quem tem grades, sistemas de alarmes e filmagens em suas residências, correm perigo de serem assaltados ou mortos, se saírem de suas moradias.

Marcos Maurício Lanes Martins - Rio de Janeiro

Arista disse...

É isso aí!Sem tirar nem por! Infelizmente!

Celso Lins disse...

O Brasil entrará no estádio de 800 milhões do Corinthians, abrindo a Copa. Esse estádio do Corinthians custou, por enquanto, esses 800 milhões. 400 do BNDES para pagar “em 500 anos”. E outros 400 milhões dados pelo prefeito do PT, como “incentivo”. Isso não é para pagar, “incentivo é para incentivar”.

Amanhã esse estádio ficará lotado, todos os seus 68 mil lugares ocupados. Os ricos de São Paulo, naturalmente mais ricos do que os do Brasil inteiro. Farão uma festa, junto com a classe média de lá, deliciosamente desperdiçadora.

Todos de carro com motorista, saltarão na porta do estádio, serão “recambiados” no mesmo lugar, depois do jogo. Os raros populares irão a pé, Itaquera não tem metrô, Lula já deu a palavra final.

Quem paga a CONTA???

Anônimo disse...

Nelson Rodrigues, em suas crônicas, lançava um novo olhar sobre o próprio país através do futebol, afirmando: "O que procuramos no futebol é o drama, é a tragédia, é o horror, é a compaixão”. O PT encontrou. E nós, Celso, pagamos o pato!

Osvaldir

Anônimo disse...

SERÁ MAIOR COPA DE TODOS OS TEMPOS E LULA IRÁ PARA O PODER! PT ETERNAMENTE!

PT SEMPRE RJ

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