terça-feira, 17 de junho de 2014

Copa do Mundo no Brasil: "O quinto dia"




Por Antonio Siqueira

Jogo mordido, mas o Brasil venceu - foto @agencialusa















 






Dando uma repaginada rápida no último confronto da seleção brasileira de Luis Felipão podemos constatar que o retrato da atuação do Brasil contra a Croácia está na imagem, vista do alto, de dois corredores semidesocupados, um em cada lateral, por onde Daniel Alves e Marcelo, sucessivamente, subiam e desciam com uma estranha predileção por parar no meio do caminho.

Um time que aposta em dois laterais em final de temporada não pode abrir mão da cobertura de suas subidas ao ataque. Faltou a Luís Gustavo, seguro, e a Paulinho, irreconhecível, cobrirem esses espaços, uma vez que também subiam e não desciam. O gol contra de Marcelo, que abriu o placar para a Croácia, só não abriu caminho para um segundo ainda no primeiro tempo pois David Luiz e Thiago Silva fizeram atuações magistrais, jogando por eles e pelos laterais ausentes.

Esgarçado na marcação, o Brasil ficou a mercê do trio Rakitic, recém vendido ao Barcelona, Modric e Kovacic, todos os três com qualidade para passes e lançamentos em profundidade, muito competentes na tarefa de distribuir e cadenciar o jogo croata. Os três, aliás, são dignos representantes da escola iuguslava de futebol, que ofereceu nos anos 90 os talentos sérvios de Stankovic e do nosso Petkovic, ótimos armadores, e que parece refletir na qualidade da Croácia.

Entretanto, o trio não teve a companhia de Pranjic, lateral esquerdo que defende e apoia com a mesma eficiência, e do centroavante Mandzukic, suspenso, e que só estreará no segundo jogo. Faltaram os dois para que a equipe croata conseguisse prender a bola no ataque nos momentos de maior pressão do Brasil.

À Seleção, não faltaram disposição e boa vontade à dupla Neymar e Oscar em voltar para buscar o jogo e, assim, fugir da marcação eslava. Há um antídoto antigo e preciso para parar Neymar: empurrá-lo para a lateral do campo. Sem espaço, seu jogo não flui. Scolari, vivido, encontrou uma alternativa ao fazê-lo recuar para conduzir a bola, aproveitando a sua conhecida inventividade. Foi com ela que, de frente para o gol, o Brasil arranjou o empate ainda no primeiro tempo, quando o jogo estava amarrado o suficiente para fazer imaginar que o tento só sairia na bola parada.


A atuação brasileira, como um todo, foi muito irregular. O pênalti marcado sobre Fred não foi um lance polêmico, pois simplesmente não aconteceu, tratou-se de uma marcação completamente equivocada e indiscutível. O segundo gol de Neymar trouxe um pouco mais de confiança ao Brasil, que ainda assim deixou a desejar até o apito final. Não é novidade ver o Brasil jogar mal em estreias de Copas do Mundo. Mas os corredores vazios de Daniel Alves e Marcelo, sem cobertura e dinâmica, são um problema tático grave o suficiente para fazer o torcedor mais atento desconfiar da sorte brasileira no prosseguimento da competição. Cada vez mais, jogos são ganhos por pontas e laterais. Ou acertamos a nossa marcação por ali, ou o título irá para outro país.


Luís Felipe Scolari deveria ler, antes de cada jogo, alguma coisa sobre o adversário, que não fosse apenas suas estatísticas futebolísticas. História, por exemplo, ou os últimos jornais.

Ontem larguei uma bomba na rede, não lembro se no Tumblr, onde mantenho um textual, geralmente em inglês ou por aí, mas parte do que eu acho que deveria ocorrer está por aqui mesmo nesta lauda.
Charge_Amarildo
O técnico da Croácia disse, já antes do jogo, que ia “partir pra cima” do Brasil em São Paulo. O técnico do México, El Piojo (O Piolho) Miguel Herrera, já declarou que a seleção do país de Zapata vai “se matar” para derrotar o Brasil no próximo jogo – meta que a torcida e a imprensa mexicanas consideram plenamente possível.

Os mexicanos estão com ódio particular do Brasil, ódio tradicionalmente alimentado pela imprensa deles, por causa de  declarações recentemente feitas em Madri, pelo inconsequente Lula, criticando os fundamentos econômicos do México, fato que rendeu, por lá, grandes manchetes.

Em uma disputa internacional, muitas vezes o que menos importa é o esporte, ou apenas os seus fundamentos técnicos, que tem ficado sempre em primeiro plano  para Felipão, seus jogadores e a maioria dos repórteres esportivos.


Como diziam os romanos, Alea jacta est. A sorte está lançada. Só não sejamos ingênuos de pensar que, para nossos adversários nesta Copa, há apenas futebol por trás da bola.



As TVs diante do evento

Quem se destaca também nas “mesas redondas” é o Fox Sports, principalmente nos programas de Paulo Roberto Falcão. O canal tentou se diferenciar escalando mulheres bonitas, porém, a maioria com pouco ou nenhum conhecimento do assunto. Diferente das profissionais da Globo. Para mim, até agora quem está ganhando este jogo é o ESPN, tanto nas transmissões quanto nos debates.

A Globo, sócia do evento, só joga para cima e qualquer crítica é rara. Parece um canal chapa branca. Mas como tem um jornalismo muito forte, as informações sobre problemas envolvendo protestos e confusões saem quase que só lá. O SporTV, mesmo sendo do sistema Globo, apresenta cobertura mais crítica, tanto dos jogos quanto das falhas de organização. As “mesas redondas” dos pós-jogos estão sendo um destaque.

Holanda à parte, Itália e França me agradaram muito em suas estreias. Os italianos tiveram parada mais dura, mas os franceses mostraram seriedade, do início ao fim, colocando Honduras no lugar dela. Nestes 3 a 0 dos franceses valeu o uso da tecnologia para provar que a bola realmente entrou no segundo gol. Se fosse assim em todos os lances duvidosos, o futebol seria mais honesto. Pirlo, Robben, Van Persie e o jovem Campbell, da Costa Rica, foram os grandes destaques na primeira rodada desses cinco grupos. Pirlo, o melhor de todos.

O noticiário da Copa do Mundo jogou a política para escanteio e ninguém está mais se preocupando com política. Continua havendo vaias, manifestações de protestos, confrontos e prisões, mas isso tudo ficará em segundo plano enquanto a seleção brasileira estiver rolando a bola.


Espanha e Holanda...de novo


Golaço de Van Pearce extraído da página da amiga deste blog,
 Maria Valéria Bethonico















   





Em 2010, os espanhóis deram show, encantaram o planeta e ditaram as regras do futebol. Era um time de encher os olhos de qualquer amante do esporte jogado com a bola nos pés e que fez por merecer a conquista da Copa do Mundo daquele ano. Passados quatro anos, chega ser surreal ver a mesma equipe sendo uma presa fácil da Holanda, que perdeu a final da última edição da competição, mas que saboreou o gosto de uma das vinganças mais doces da história do torneio, nesta sexta-feira, na Arena Fonte Nova. Ou melhor dizendo, ainda irá saborear por muito tempo.

Nem mesmo o mais otimista dos torcedores da Laranja – trajada de azul nesta sexta-feira – poderia imaginar sua seleção aplicando uma goleada por 5 a 1, de virada, sobre a então toda poderosa Espanha. E com direito a olé.

O grito comum nas touradas e nas partidas de futebol dos ibéricos, desta vez, saiu da garganta dos bravos aficionados holandeses. Cortesia de Robben e Van Persie, autores de dois gols, cada, e Vrij, alguns dos guerreiros ferozes de um exército recheado de bons valores, sob o comando de Louis Van Gaal. O tento dos espanhóis, anotado por Xabi Alonso, deu a falsa impressão de que a Fúria iria deslanchar em sua estreia. Ledo engano.

E não foi apenas a Holanda quem teve sua vingança. Os brasileiros também. Enfurecidos com Diego Costa, que preferiu defender a seleção espanhola do que a do país tupiniquim, o atacante foi ‘execrado’ pela torcida verde-amarela presente na Arena Fonte Nova, em Salvador. Era só ele pegar na bola para as vaias e os gritos hostis surgirem das cadeiras da Arena.



Messi

Genio-foto_agenciaglobo
Messi estava com dificuldades? Sim. Talvez tenha vindo para a Copa do Brasil sem as condições ideais? Parece que todos já sabiam. Só que, depois que as torcidas dos clubes do Rio começaram à perturba-lo com algumas pequenas hostilidades que não chegaram a ser atrozes, o argentino resolveu pegar a responsabilidade para si e deu no que deu. é bom lembrar que das últimas vezes que esta seleção enfrentou esta Argentina de Leonel Messi, Di  Maria, Agüero e companhia, os resultados foram um tanto decepcionantes. humildade e canja de galinha nunca foram demais!




Alemanha


Eficiência, tática de guerrilha, logística perfeita e um verdadeiro Ataque Panzer contra Portugal que não se mexeu. Uma verdadeira blitzkrieg da bola, mal comparando, por que eles não gostam do assunto. Cristiano Ronaldo tem tempo para mostrar algo, mas contra os alemães, a vaca lusa atolou. E alguém tem que dizer ao Nani e, principalmente, ao Pepe, que eles não são e nunca foram craques.


*Agente volta ainda hoje! O futebol está bom, amigos. E as 16 horas o Brasil enfrenta o México ressentido de Lula. Vamos que vamos.


Hoje tem música, mais brasileira do que nunca! Futebol é Arte e a Arte é Vital, não é meSSSmo?








1 comentários:

Anônimo disse...

Felizmente temos acessos a textos e matérias tão boas como esta aqui.
Que venha o México com seus traumas. Porém, a sugestão para o Felipão e demais comandantes de esquadras internacionais está dada e muito bem dada!

Marcelo - RJ

Postar um comentário

Diga-me algo