quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A cigarra não trabalha por que só sabe cantar

Ilustrattion:JRCasas


As formigas de Fukushima fazem um roquenrol mais produtivo
        Por Antonio Siqueira


Há quem diga que nunca houve "roquenrou" de verdade no Brasil e que, com exceção dos Mutantes, o resto não passa de bricolagem. Não sei se isto está certo ou errado, às vezes vendo alguns roqueiros da antiga que cagaram literalmente nas suas obras solos, acabo me rendendo a alguns casos mas a zoação que Raulzito faz com a fábula de Jean de La Fontaine é uma ótima crítica para o taylorismo e a máxima “O trabalho enobrece/dignifica…”.

     O problema é que tanto esta fábula como a da Lebre & a Tartaruga falam da perseverança e da força de vontade. A lebre desdenha do atarracado réptil e a cigarra, mesmo provida de asas, não faz outra coisa senão cantar. Assim como a cigarra troca de casca, as fábulas de Esopo ganharam vida nova com a lírica de La Fontaine. Num belo dia de inverno as formigas estavam tendo o maior trabalho para secar suas reservas de comida. Depois de uma chuvarada e a cigarra só cantava e ainda sacaneava as formiguinhas com uma certa satisfação parasitária. Não é justo!

     
      Considerada uma praga para determinadas culturas de plantio, a cigarra foi usada pelo filósofo grego e seu ghostwriter francês como um arquétipo da preguiça e da pusilanimidade. Raulzito que me desculpe mas sua asserção, perfeita para a época em que foi feita, cai como uma luva para a “biltrice” e a falta de comprometimento que assola as terras tupiniquins nos dias atuais.

      Portanto, para fazer esta paráfrase elucidativa, peço licença ao pai da “blendagem” roquenrou com o baião. Quem quiser aprender, favor prestar atenção: a cigarra só canta porque ela não sabe trabalhar!

      Às cigarras que já estão gritando ao ler isso, vale lembrar as obras de nossos estádios – acontecendo a passo de cágado – e a situação da Lagoa Rodrigo de Freitas e da orla marítima, infestadas pelas algas mutantes ninjas que parecem ter saído de Fukushima. As formigas de lá trabalham incessantemente para conter o vazamento. As cigarras daqui continuam cantando enquanto seu país já deveria ter trocado de casca. A esse fenômeno dá-se o nome de Ecdise. Duvida? Dá um rolé na internet. A Wikipedia é que disse.


*Brilhante Ilustração do artista JR Casas


*O primeiro post de 2014 neste blog, é dedicado aos parasitas da arte, em especial à primeira grande arte e ao canto de trabalho dos operários dos estádios que pretendem sediar jogos da Copa do Mundo no Brasil.





"Como Vovó já dizia" com Rauzito em compacto. coisa rara!



9 comentários:

Allan Wallace disse...

Ácido como sempre...

Anônimo disse...

Eu estou rindo até agora....
Associação muito oportuna.

Luana

Celina Moura Dias disse...

Hilário, inteligente, coerente...um texto bom para começar o ano.
Muito bom seu blog!

Anônimo disse...

hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha
Publica a minha gargalhada de escarnio, por favor.Tão escarnecedora quanto seu artigo fenomenal!

FER

Osvaldir Sodré da Silva disse...

A verdade em síntese.

Osvaldir

Antonio Siqueira disse...

Querido Osvaldir, meu cronista preferido;
Eu, ao terminar este post, passei mal de rir.
Eu ri, cara!

Anônimo disse...

Formigas de Fukushima? Você anda muito louco em suas metáforas. Puta texto!

Marcelo

Jr Casas disse...

@arte:autordesconhecido ? ilustración de Jr Casas

Antonio Siqueira disse...

ótimo Sr JR Casas, os créditos já estão a caminho. Obrigado pela informação.

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