quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O Rock Progressivo Brasileiro Vive


Conversa rápida sobre o Rock Progressivo no Brasil
Por Antonio Siqueira



     Bacamarte
Bacamarte
















Banda de rock progresssivo formada em 1974 por Jane Duboc (vocal), Mario Neto (guitarra), Sergio Villarim (teclados), Marcus Moura (flauta e acordeon), Delto Simas (contrabaixo), Marco Veríssimo (bateria) e Mr. Paul (percussão). Em 1977 chegaram a participar do programa Rock Concert, da Rede Globo de Televisão, e chamaram a atenção da gravadora CBS, gravando uma fita que não chegou a sair em disco, mas em compensação foi muito bem divulgada pela Fluminense FM a partir de 1982. O Bacamarte lançou um LP independente (Depois Do Fim, Som Arte, 1983), e se desfez em 1984.
Recentemente, a banda promoveu um revival com sua vocalista original, Jane Duboc, em 22 de setembro último no Theatro Rival BR, Rio de Janeiro.




Bixo da Seda

Bixo da Seda
O Bixo formou-se em Porto Alegre, RS, em 1973 por quase todos os integrantes do Liverpool: Mimi Lessa (guitarra), Pekos (contrabaixo, guitarra), Edinho Espindola (bateria), mais Zé Vicente Brizola (vocal, guitarra) e Cláudio Vera Cruz (contrabaxo, guitarra); em 1974 Zé Vicente foi substituído por Fughetti Luz, vocalista do Liverpool, que retornava da Europa; Marcos Lessa, outro ex-Liverpool, também retornou, saiu e retornou novamente ao Bixo. Renato Ladeira, ex-A Bolha, e Vinícius Cantuária, ex-Terço, integraram sua última formação. O grupo mudou-se para o Rio de Janeiro, RJ, foi contatado pela gravadora Continental e gravou apenas um LP, sobrevivendo até 1978; então Fughetti Luz retornou a Porto Alegre e Mimi, Marcos e Edinho gravaram alguns jingles e acompanharam as Frenéticas em discos e shows.





Som Nosso de Cada Dia

Grupo de rock que, a exemplo do Casa das Máquinas, foi formado por um integrante dos Incríveis, no caso o tecladista e saxofonista Manito. O grupo surgiu em 1970 com o nome Cabala, com Pedrão (contrabaixo) e Pedrinho (bateria); em 1973 adotou o nome O Som Nosso de Cada Dia. Em 1974 gravaram um LP, Snegs, para a Continental; nesse mesmo ano fizeram a abertura dos shows de Alice Cooper no Brasil. Ainda em 1974, Manito saiu do grupo para substituir Arnaldo Baptista, que havia saído dos Mutantes, e o Som Nosso de Cada Dia mudou de nome (para simplesmente Som Nosso), formação (entraram Egydio Condé, ex-Moto Perpétuo, na guitarra, e Tuca, teclados) e estilo, tornando-se um grupo de funk-disco-rock e dos melhores; gravaram um LP (sem título, CBS, 1977) onde se destacaram "Pra Swingar" e "Francine", e encerraram a carreira ainda em 1977. Em 1993, a versão progressiva do grupo, com Manito, Pedrão e Pedrinho, se reuniu para gravar uma adaptação da "Protofonia" da ópera II Guarany de Carlos Gomes, especialmente para a reedição de Snegs pelo selo Progressive Rock Worldwide. De lá para cá Manito voltou para os Incríveis (chegando a sair novamente) e Pedrinho tocou com vários artistas até falecer nos anos 1990.



Som Imaginário
Som Imaginário
Grupo que fundia o rock com jazz e letras bem-humoradas. Formado no Rio de Janeiro, RJ em 1970 por Wagner Tiso (teclados), Robertinho Silva (bateria), Tavito (violão de 12 cordas; Frederyko (guitarra), Luiz Alves (contrabaixo), Laudir de Oliveira (percussão) e Zé Rodrix-in memorian (órgão, percussão, voz e flautas). Nesse ano, com a participação de Nivaldo Ornelas (sax) e Toninho Horta (guitarra), dividiu o palco com Milton Nascimento, apresentando o espetáculo "Milton Nascimento? Ah... E O Som Imaginário", que estreou no Teatro Opinião. Nessa ocasião, Laudir de Oliveira desligou-se do conjunto (radicando-se nos EUA, onde chegou a ser integrante do grupo Chicago), sendo substituído ocasionalmente na percussão por Naná Vasconcelos Ainda em 1970, gravou seu primeiro disco, Som Imaginário, destacando-se canções como "Feira moderna" (Beto Guedes e Fernando Brant), "Nepal" (Frederyko, lançada por ele anteriormente num compacto-solo para o selo Equipe) e "Hey man" (Zé Rodrix e Tavito). Ainda nesse ano, participou da gravação do disco "Milton", de Milton Nascimento. Em 1971, Zé Rodrix desligou-se do grupo. Nesse ano, o conjunto lançou o LP Som Imaginário, mais influenciado pelo hard-rock que o anterior, e que incluiu "Cenouras" (Frederyko) e "A Nova estrela" (Wagner Tiso). Ainda em 1971, acompanhou Gal Costa em show realizado pela cantora no Teatro Opinião (RJ), tendo novamente Naná Vasconcelos na percussão. Participou, nesse mesmo ano, do filme "Nova estrela". Em 1973 o grupo gravou seu terceiro e último LP, A Matança Do Porco, com grande influência do rock progressivo e contendo canções de Wagner Tiso como, entre outras, "Armina" e a faixa-título, escrita originalmente para o filme Os Deuses E Os Mortos, de Ruy Guerra. Ainda em 1973 o grupo participou do LP Milagre Dos Peixes de Milton Nascimento. Os três LPs do grupo foram reeditados pela EMI em 1978 e, "apenas" 19 anos mais tarde, em CD.
 Retorna no começo deste ano de 2012 pelas mãos da produtora  "Um Trem Para o Sonho" da competente Margareth Reali, amiga deste Blog.



O Terço

O Terço
Por volta de 2001, Flávio Venturini fez um concerto no DirecTV Hall em São Paulo e convidou seus velhos companheiros d'O Terço. O público pode ver (ou rever) Sérgio Hinds, Cezar de Mercês, Sérgio Magrão e Luiz Moreno novamente juntos no palco e tocando as músicas do grupo nos anos 1970. O Terço, ao menos por um breve período de tempo, estava reunido novamente. A partir daí, os músicos começaram os ensaios para o retorno definitivo do grupo. A idéia era a gravação de um disco ao vivo com algumas faixas inéditas. Porém um acontecimento interromperia os planos da banda: o baterista Luiz Moreno sofreu uma parada cardíaca e faleceu, levando o grupo a desistir temporariamente da idéia do retorno. Com o apoio da esposa de Moreno, Irinéa Ribeiro, o grupo resolve continuar o projeto. O trio Sérgio Hinds, Flávio Venturini e Sérgio Magrão, junto com o baterista Sérgio Mello resolvem seguir em frente. Em 2005, enfim, o grupo marca as datas dos 3 concertos (no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais). O primeiro foi dia 4 de maio no Canecão (RJ), onde foi gravado o DVD do grupo também. Nesta noite o grupo tocou quase todas as músicas dos discos "Criaturas da Noite" (75) e "Casa Encantada" (76), além de "Tributo ao Sorriso" (70), "Suíte" (75) e "P.S. Apareça" (96), e o concerto contou com as ilustres participações de Marcus Vianna, Ruriá Duprat, Irinéa Ribeiro e o quarteto de cordas Uirapurú. Na ocasião, foi lançado um CD de um concerto que O Terço fez em 1976, no Teatro João Caetano (Rio de Janeiro). Em 2007, o CD e DVD foram enfim lançados.
O Terço continua fazendo concertos periodicamente desde 2008 para divulgação do DVD e pretende ainda lançar um disco de estúdio com músicas inéditas, sem previsão para gravação e lançamento. A banda ainda faz shows pelo Brasil quando a agenda de seus integrantes da formação original, permite.
Irinéa Ribeiro, viúva do baterista Luiz Moreno, está escrevendo um livro sobre a fase de O Terço em que seu marido tocou na banda.




Quaterna Réquiem



 Banda brasileira Quaterna Réquiem pode ser apontada como um dos grandes valores mundiais do rock progressivo nos anos 90. Formado em 1986, no Rio de Janeiro, a partir das cinzas do grupo Vitral (que incluia os "cabeças" do Quaterna, os irmãos Elisa e Claudio), dissolvido, entre outros motivos, pela saída de Wiermann (instrumentista profissional) para uma série de concertos pelo país, o primeiro Quaterna Réquiem com Dantas e alguns outros membros da formação do LP, apresenta-se exatas duas vezes antes de também debandar. O som do grupo, na época, era bem mais primitivo do que o que seria conhecido no futuro. Com ofim da série de concertos, Wiermann retorna ao Rio e, junto com o irmão Dantas, ressuscita a idéia de uma banda de rock progressivo. O ano, 1987. (Re)nascia o Quaterna Réquiem.

Após vários shows e algum entra-e-sai na formação (agora com Wiermann, Dantas, o violinista Kleber Vogel, o guitarristas Jones junior e o baixista Marco Lauria), a banda lança, em 1990, o LP "Velha Gravura", reeditado em 1993, em Cd, com duas faixas extras. Apesar do sucesso junto ao público do gênero, o Quaterna passaria por profundas mudanças no ano seguinte. Júnior deixa a banda no final de 1991 e é substituído pelo guitarrista Saulo. Com esse "line-up", a banda dá seu mais famoso show (22 de fevereiro de 1992, no MAM do Rio) antes da saída de Vogel. O violinista, junto com Júnior, daria início à banda progressiva Kaizen (lançado em CD em fins de 1994).

Nova fase para o carioca Quaterna Réquiem: o novo guitarrista Saulo convoca um amigo, o baixista Álvaro Seabra, para o grupo. Essa nova formação não dura mais que alguns meses e cerca de cinco ou seis shows (com muitos trabalhos novos). O Quaterna estava de volta ao início da estrada, ou seja, reduzido aos irmãos Elisa e Cláudio. Mas isso não seria, como chegou a circular, o fim do conjunto. A banda resiste com apenas dois membros e mais dois (excelentes) músicos convidados, o baixista Fábio Fernandez e o guitarrista Roberto Crivano, ambos da banda progressiva Agne Luz (também do Rio). Essa formação daria um show em 1993, no SESC da cidade de Três Rios e lançaria, em 1994, seu segundo trabalho, intitulado "Quasímodo", que reafirma o Quaterna como principal banda progressiva brasileira em atividade. A temporada de divulgação deste novo disco ocuparia várias semanas de shows nos Teatro João Teotônio, em 1994. Feliz de quem conferiu.

Em 1997 a banda se apresentaria no Rio Art Rock Festival, abrindo para a banda sueca Par Lindh Project, onde apresenta músicas de um novo trabalho a ser lançado, além de contar com a participação especial de Kléber Vogel em uma música e Fred Fontes no baixo, substituindo Fábio. Deste show, lançam o CD Livre em 2000. Para surpresa de todos, a banda anuncia volta de Kléber Vogel para o Quaterna em 2002. Em 2003, Kléber e Wiermann lançam o CD À Mão Livre. Nele há uma música inédita do Quaterna Réquiem.


*Eles sobrevivem e estão aí, melhor do que nunca:






Quaterna Réquiem - Live




BACAMARTE - LIVE AT TEATRO RIVAL (09/22/2012) - ULTIMO ENTARDECER






O Terço - 1974





* Uma boa leitura e audição a todos....

6 comentários:

Anônimo disse...

E aqui fez-se um dos melhores progs do mundo!
Que bom assistir estes vídeos com Bacamarte de volta com Duboc e o excepcional Quaterna!
Obrigado, ARTE VITAL!

Martha

Anônimo disse...

Matéria bárbara!

Dayana disse...

1974 é a grande trilha do progressivo nacional!
Pena que seu criador seja uma pessoa tão antipática e babaca. Mas é assim mesmo.
Bacamarte, O Som Nosso..., ai ai, que cardápio!

Day - Colonia - GER

Anônimo disse...

Saudades desses monstros da musica nacional.

Márcia Siqueira disse...

Sempre trazendo de uma maneira ímpar,inteligente e direta,informações importantes,e não só sobre música.
Texto impecável.
Parabéns,mais uma vez!

Sua eterna admiradora.

Anônimo disse...

Bom saber que existe um espaço em que se possa saber do que se passa na nossa musica. Valeu!

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