segunda-feira, 16 de abril de 2012

O rock sem fronteiras


A Força do Terceiro Mundo             
Por Antonio Siqueira


@image_viva_rockroll






















Parte I


      Os grandes movimentos musicais populares oriundos dos EUA e da Europa que concerniam, principalmente, ao Rock and Roll atravessaram o atlântico e vieram dar em “praias” brasileiras, assim que movimentos como a Tropicália e o Clube da Esquina promoveram uma revolução sem precedentes na sonoridade do cancioneiro popular. Surgiam assim, em todas as capitais, as bandas de garagens, bem aos moldes dos grupos de jovens norte - americanos e londrinos, estes que encontraram e identificaram a gênese deste segmento. As bandas de garagem eram grupos amadorísticos que ensaiavam nos fins de semana, levavam à loucura vizinhos mais conservadores e sonhavam com o sucesso, representando toda uma inocência e a  força primitiva do rock and roll. Algumas destas bandas conseguiram chegar ao estrelato, caso dos Ramones que em 1976, se tornariam um dos grupos pioneiros do punk americano.

      Um dado importante na revolução do rock punk se deu em Londres e foi na chamada Conexão Jamaicana: o reggae. Os jovens londrinos da classe operária começaram a se identificar com esse ritmo antilhano, essa mistura de calipso, rhythm and blues, funk e soul e a situação de miséria dos jovens do Terceiro Mundo. Assim como os jovens da década de 50 projetavam-se na marginalidade negra do blues norte americano para criar o rock and roll, esse fenônemo influenciou os movimentos punks e veio aportar em terras brasileiras.

      Como nos versos fortes e comoventes da poetisa e letrista Suzana Nunes na musica “Pedras Rolantes (Nas Ondas do Rádio)" de Flávio Venturini -Vermelho e Suzana Nunes: “Chegaram pelo atlântico com seus gritos selvagens e o belo horror nascente das pedras rolantes” rock com brechas de influencias poderosas do progressivo da banda 14 Bis, single do segundo disco da banda de 1980, o rock chegaria aqui de vez. Com a música vinha uma ideologia carismática, um comportamento rebelde e antiimperialista que se expressava a partir de letras enganjadas, uma mistura inteligente de gêneros e ritmos, roupas coloridas e exóticas, alimentação vegetariana e muita maconha. Com a expansão do mercado fonográfico externo, o Rock Brasil não tardaria a viver a sua era de ouro, esta que teve nos Gritos Selvagens de artistas notáveis, o pé na porta para a grande revolução da cultura pop nacional.



14 Bis - Pedras Rolantes - Nas Ondas do Rádio - 1980






5 comentários:

Celso Lins disse...

Pedras rolaram e no Terceiro mundo se fez o rock.
aqui se fez bom rock, meu amigo! Aliás, vi boas bandas por aqui, acredite!
muito bom esse artigo e vejo que vai rolar mais coisas nesta casa!
abraços

Márcia Cristina disse...

Com certeza,Celso!Concordo!
Ainda bem,que vivenciamos essa bela época!!
E Toninho,sou suspeita,mas tudo o que escreve é contagiante.
Beijão, da eterna admiradora ;)

Anônimo disse...

Muito bom artigo.
O rock do Lobão errou, mas essa história aqui é mais que exata.

Marcelo

Anônimo disse...

Perfeito!

Martha Sandroni

Anônimo disse...

Aqui o rock nunca teve fronteiras.
Parabéns por mais este belo texto.

Luana BH

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