terça-feira, 17 de abril de 2012

No Coração do Clube da Esquina: Beto Guedes


As Várias Esquinas do Homem Música
    Por Antonio Siqueira


        O Arte Vital e este escriba tinham uma dívida com o Clube da Esquina; tentar, mesmo mal e parcamente, homenagear e retratar aqui um pouco do que foi esse “fenômeno” cultural advindo das alterosas. A música das Minas Gerais mudou a cabeça de muita gente que “mexe” com a primeira arte e fez-me amá-la como se ama a musa mais radiante ou àquela menina mais bonita da escola. Eu era menino num Brasil que ouvia Roberto Carlos (que é gente muito boa e soube explorar bem as suas oportunidades com honestidade acima de tudo), The Fevers; Ronnie Von & Vanusa eram super heróis de uma geração, em sua imensa maioria, carente de informação e novidades, quando os primeiros acordes da revolução musicultural “pousaram” mansamente em meus ouvidos. Mesmo com pouquíssima idade, lembro-me dos cuidados com que Dona Fátima, minha saudosa mãe, guardava aquele Long Play belíssmo e duplo, o qual trazia dois molequinhos representando os gênios criativos de Milton “Canta Lindo” Nascimento e Lô Borges na capa. O tempo passou, Dona Fátima se foi para o infinito e o Long Play sumiu; ganhei outro em um dos meus aniversários de um amigo que também é outro gênio criativo da arte maior: Sir Marcos Damasceno passava pelo Passo Imperial quando adquiriu a preciosidade para me presentear. Eu era uma espécie de “discípulo” de Marquinhos, um dos maiores cancioneiros que por aqui passou e quase enlouqueci com o presente. Devo ter feito mais rotações naqueles vinis do que a Terra desde seu resfriamento e o ‘professor’ Damasceno musicista e instrumentista notável, ainda me concedeu o privilégio de aulas extensas e bem aproveitadas no que concernia às canções daquele álbum duplo.

     O Clube revelou gênios, tanto músicos e instrumentistas fantásticos, quanto compositores geniais por excelência. Márcio Borges, por exemplo, como um dia ouvi ou li, não me lembro bem se foi o seu próprio pai Salomão; “Não escrevia, psicografava o infinito”. Toninho Horta é um mago de harmonias e acordes que não são deste plano; Lô Borges escreve musica com verdades e vertentes viscerais, além de ser um dos caras mais bacanas desta turma de notáveis, mas foi a música de Beto Guedes que me arrebatou definitivamente.

      Não desaparece da minha memória o dia que ouvi “Amor de Índio” numa coletânea chamada "Comportamento Geral”, lançada no comecinho da década de 80 e que trazia Gonzaguinha, Simone, Chico Buarque, Walter Franco, o genial Sidney Miller, entre outros nomes de impacto da MPB. Ouvi tantas vezes eu fui chamado à atenção, pois ninguém aguentava mais; foi a primeira canção que toquei e cantei ao violão, ao piano...Dali em diante cacei o LP “Amor de Índio” incansavelmente até um dia achá-lo numa lojinha escondida na Rua do Ouvidor, no Centro do Rio naquele 1983 em que ainda andava pelas mãos de meu pai e o perturbava por demais com meus desejos fonográficos. Beto é o mineiro mais Clube da Esquina desta galera de ilustres e tem uma discografia divinamente bela; seus 6 primeiros álbuns foram recheados de clássicos que ocuparam espaço de destaque na word music. Beto emplacou uma das parcerias mais bem sucedidas da Brazillian Music com o letrista carioca Ronaldo Bastos, mas escreveu algumas preciosidades com Márcio Borges. O álbum “Contos da Lua Vaga” é uma jóia rara e magnífica, tanto em qualidade na elaboração _ ele trabalhou o disco tocando quase tudo e usando e abusando da sua verve de multi-instrumentista _ quanto para encontrá-lo, até hoje, inclusive na web.

      Este blog receberá posts sobre os quarenta anos do “Clube da Esquina” durante boa parte do ano de 2012. É uma divida que tenho desde o ano de 2002, quando se completaram trinta anos deste revolucionário movimento e, posteriormente, trinta e cinco em 2007. Passou em branco por puro temor deste que vos escreve em produzir matérias à altura da dimensão e da magnitude desta ‘coisa toda’ que é a música mineira. Este “Clube”, ou “Guarda-Chuva” _ como declara em tom de muito humor, ilustríssimo Marcinho Borges_ revelou artistas clássicos da Musica Popular Brasileira Contemporânea e estes, serão contemplados no Arte Vital como merece a Musica Universal e da forma mais concreta e sincera como exigem o bom gosto e o amor à música de qualidade. A nossa arte, os filhos da nossa arte e nossa musica sem igual agradecem.


* A obra de Beto Guedes fora pautada de canções, cujo tema abraçava causas supremas e de cunho ecológico. Este vídeo produzido pelo Arte Vital, traz uma das obras-primas deste mineiro que é musica até a alma:




Beto Guedes - Contos da Lua Vaga




6 comentários:

Márcia Cristina disse...

Merecida homenagem...ao GRANDE Beto Guedes!!

E a nossa história se mistura à essa.
Lembranças de infância,
Felizes,
Com muito bom gosto musical...
Beijão,Toninho :)

Dayana disse...

Beto Guedes foi muito importante em nossas vidas, meu querido amigo e antigo parceiro de longas jornadas musicais. Lembro quando você e Fernandinho ficavam horas me passando harmonias, nossa! Você cantava muito bem ele, aliás...canta.
Lembranças deliciosas, inclusive de Dona Fátima que está com Deus.
Me comoveu esta crônica...Até breve, amigo.

Day

Anônimo disse...

História maravilhosa dessa gente aqui de BH e a que precede a sua com a música, Antonio. Fiquei sem net por duas semanas e retorno com esses artigos alucinantes, sô!
Ameiiii!

Luana - BH

Anônimo disse...

VIVA A MUSICA BRASILEIRA!

Dery Nascimento. disse...

Amigo Antonio Antonioni das palavras sabias, Beto é tudo isso nossa fonte de inspiração , parabéns amigo por descrever para todos nós.

Anônimo disse...

Beto é o cara!

Ludmila Guedes Santos

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