sábado, 10 de dezembro de 2011

Um poema ainda existe, mesmo que caótico


Caos
Por Antonio Siqueira


"Caos Urbano" de Glauber Shimabukuro





















Nascemos do caos,
de um delírio de corpos se amando,
misto de paixão, suor e prazer.
Nascemos com a imensa necessidade de vida
e o incontrolável desejo da morte,
que ronda nossos passos,
sombra negra
a certeza de partir.
Somos animais hipócritas vestidos de razão,
ocultando em nossas veias o sangue vermelho do instinto.
Cai a minha máscara
e sei que preciso viver a intensidade de cada desejo.
Sentir sem medo de sentir,
caminhar sem medo de errar,
errar sem medo de acertar.
Meu coração adormece sozinho
a chama daquilo que um dia poderia ter sido.
Minha vida espreita o dia de poder
explodir em riso e festa
aquilo que ainda guardo para viver
Moram em mim
outros olhos que me vêem.
Neles existo e não me enxergo.
Tenho os olhos de um animal,
arisco e selvagem.
Farejo minhas vontades,
sacio minha sede
nos rios que correm em outros corpos.
Todos únicos sem serem um;
verdadeiros sem serem reais.
Tenho os olhos do pecado que não existe,
e escorrem por eles
lágrimas do sangue da minha culpa.
Tenho os olhos de versos.
Olhos de alma
que mostram meu coração de vidro,
tão pequeno e frágil,
que brilha e lacera em meu peito
inúmeras feridas
da onde brotam palavras vazias,
palavras vãs,
que eu nunca conseguirei entender.


@image "Caos Urbano" de Glauber Shimabukuro

8 comentários:

mariza disse...

o mais bonito de seus poemas, meu amigo. a mais bonita das confissões, caso um poema pudesse ser escrito dessa maneira tão clara e visceral. nem sempre pode porque nem sempre é. viva a poesia, então.
e viva você.

Márcia Cristina disse...

Toninho...
Mais uma vez...
Você toca fundo na alma...
"...viver a intensidade de cada desejo.
Sentir sem medo de sentir,
caminhar sem medo de errar,
errar sem medo de acertar..."

Sem palavras...

Te amo!!!
Sua eterna admiradora...

Márcia Cristina

Márcia Cristina disse...

Toninho...
Mais uma vez...
Você toca fundo na alma...
"...viver a intensidade de cada desejo.
Sentir sem medo de sentir,
caminhar sem medo de errar,
errar sem medo de acertar..."


Sem palavras...

Te amo!!!
Sua eterna admiradora...

Márcia Cristina


P.S.:Amei a surpresa!!...Vc cantando "Boa pessoa"aqui...Demais!!... :D <3

Anônimo disse...

Fantásticamente falando: AMO SEUS POEMAS!!!

Luana - BH

Sandra Britto disse...

Existe a semente de ordem no caos que sobrevive à morte, no desejo de transcender estão as respostas da vida que busca o eterno. Para o ser angustiado no ambiente urbano, a ambiguidade dói pensar que se esta só num mundo cheio de corpos. POESIA DENSA.

Celso Lins disse...

O caos é fato e reside dentro de nós. Brilhante as suas palavras.

Antonio Siqueira disse...

O caos reside mesmo é em mentes doentias "Meu coração adormece sozinho
a chama daquilo que um dia poderia ter sido.
Minha vida espreita o dia de poder
explodir em riso e festa
aquilo que ainda guardo para viver..."

A chama daquilo que se perdeu ou nos perdeu.
As pessoas complicam uma coisa simples como "amar"...somos lamentáveis.

Sandra Britto disse...

Querido Antônio nós não somos lamentáveis, a dor do caos é fato conforme disse bem o Celso, mas é nossa escolha sofrer ou ser feliz. Viver questões do passado gera um ressentimento que engessa e faz doer os ossos, assim como viver possibilidades futuras nos reporta a uma ansiedade tamanha que dói no estomago. Realmente, amar é simplicidade presente, mesmo que as circunstâncias sejam complicadas. Amar e viver o presente é questão de escolha.

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