sábado, 12 de fevereiro de 2011

Discordâncias do Mundo Pop



Algumas críticas são feitas por mero preciosismo
Por Antonio Siqueira





Os críticos musicais de hoje em dia exigem um segundo álbum melhor que o primeiro. Caso esta epopéia seja alcançada, a banda é "endeusada", do contrário a banda "Fracassa" neste mundo de ideias pré-definidas.

 Esquecemo-nos muitas vezes que uma banda para lançar o primeiro álbum, trabalha durante anos até o conseguir. É criada uma gama imensa de músicas por onde se pode escolher as melhores  a serem editadas. O segundo álbum (talvez devido às tais pressões), com menos tempo para criar e escolher, é lançado para as lojas comerciais e para lojas virtuais muitas vezes cru não superando as expectativas de um trabalho com anos de reflexão.

Discordo da opinião que uma banda deve inovar de álbum para álbum. Sou apologista de que cada álbum pode ser inovador de música para música dentro do próprio álbum. O ser humano tem oscilações de humor de dia para dia, o processo criativo muda de semana para semana e as criações ou improvisos nos ensaios variam conforme o estado de espírito de um grupo, uma banda. Daí surge outra pergunta: Porque é que uma banda que faz um álbum versátil musica a musica é considerada Pop e uma banda que acaba por faze-lo de álbum para álbum ao longo de uma carreira (pressões de inovar) não é?

Das coisas que me dá mais prazer é sentir que um amigo meu esta revoltado com a vida, outro esta triste com algo, um em êxtase e outro num dia absolutamente normal. O produto destes 4 estados de espírito concretiza-se em melodias tristes, vozes revoltadas e ritmos contagiantes.

As pessoas adoram o subliminar, mas nem tudo precisa necessita o ser. Porque não álbuns com mensagem e álbuns aleatórios que definem isso mesmo, a ALEATORIEDADE das nossas vidas?
O Mundo não está  cheio de gênios, mas está cheio de criativos que podem, com tempo, fazer trabalhos geniais.


12 comentários:

aristides disse...

hummm, sábias palavras ...

o negócio é deixar de lado a pressão que o mundo impõe, até porque, se há muito tempo para se formar um raciocínio no universo!

abs ...

Magda Camila disse...

Concordo com cada palavra dita aqui.
É preciso apenas deixar mais claro o fato de que as ferramentas de se fazer a musica rodar o mundo, mudaram e muito.

Abraços

magda

Antonio Siqueira disse...

Mas o artigo se atem apenas à critica, não desprezando a sua abordagem, deveras importante.

Celso Lins disse...

Tocar em banda é tão gostoso, tão divertido (pelo menos para mim) que quando há uma amizade entre os membros e amor pelo trabalho proposto, acaba se tornando o oxigênio que se respira. Existem bandas com 45 anos de estrada, existem artistas solos que diversificam e não perdem a mão. É tudo muito bipolar, mas não cria discordância alguma com a sua abordagem. Nós sabemos o que é uma banda e sempre estivemos cientes de que só os que têm algum talento e (isso é indispensável) são dotados de armaduras paternalistas sobrevivem.

Silvia disse...

Pois é,
Hoje nada mais pode ser criado apenas pra ser. Alguns ainda acreditam que podem e devem controlar, classificar e sintetizar o caos que coordena o universo...
É sempre a reprodução do mais do mesmo...
Humpf!

Anônimo disse...

É isso aí, Silvia; sintetizar o caos!

Abraços

Eloy

Anônimo disse...

Justamente por esta subjetividade... do gosto pessoal... eu acho que o bom crítico musical deveria, cautelosamente, não usar o argumento da crítica para "impor" a sua opinião, como se fosse um marco regulatório do gosto.

Carinhoso abraço, Antonioni! ;))

Neide Oliveira.

Dayana disse...

Realmente, as criações ou improvisos nos ensaios variam conforme o estado de espírito de um e de outro na banda ou grupo que se reúne para algum trabalho prévio. Só que as críticas, na maioria das vezes são até encomendadas, positivas ou não. Ser feliz com a música, quando a propagamos para o mundo, é um desafio sem precedentes.

Dayana Fontenelle

Anônimo disse...

Eu adoro esses seus textos que nos pegam de surpresa e o que mais me agrada é você aplica-los doses cavalares das suas vivências e experiências sem torna-los confessionais e chatos como muitos blogs de atores, musicos e poetas que são verdadeiros diários, e tornando piegas pessoas de muito talento. VIVA O ARTE VITAL que é tão simplesmente o Arte Vital escrito e administrado pelo excelente Antonio Siqueira.

Luana Campanelli, BH

Anônimo disse...

Sou musico, já toquei em duas bandas que quase emplacaram e o que assusta qualquer candidato ao estrelato é isso aí mesmo: São as exigências. É quase impossivel seqüenciar um sucesso atrás do outro e não se têm alternativas.

Bruno Latos, guitarrista da Banda Mistral

Anônimo disse...

Uma banda não precisa inovar de álbum para álbum; Em um trabalho, tocar rock, no outro tocar baião. Uma banda tem sim, é que criar e bem, dentro da linha que se propôe, apenas isso. Se enjoar, paciência:
Abraços
Eloy

Antonio Siqueira disse...

Achei seu comentário aqui, Eloy. No momento que vc publicava eu verificava o blog.
É isso aí: acho que vc pegou a coisa.


Abraços

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