quarta-feira, 21 de julho de 2010

Amor escrito, amor amado...

Amor e texto 
     Por Antonio Siqueira


            Antes, é preciso escrever sobre o amor. Talvez assim mesmo, diretamente. Não a paixão, mas exatamente o amor. Talvez tenha chegado a hora de permitir que ele assuma o controle, que ele seja, enfim libertado. Como disse, esse amor precisa de pernas, necessita antes, largar tudo o que se está fazendo e ir de encontro ao objeto amado. A Mulher amada. Um movimento definido como "sempre", mas que não é simples porque possui em si mesmo, marcas, signos, sinais. E pode acontecer dele se manifestar eventualmente em textos. Porque textos? Quando vêm de dentro mesmo, são o sumo da nossa emoção. Textos têm vida própria e conversam entre eles. Então, dependendo de porquê e para quem, um texto é uma manifestação de amor. Forte manifestação. O texto é suave, calmo, permite que o deixemos ali naquele cantinho e até mesmo fujamos dele quando nosso espírito pede assim.


        
O que não percebemos muito é que as cartas e os textos não estão ali, colocados como que por acaso, como se fossem coisa sem importância, redundância. Entendendo o amor, dentro do que ele nos permite, percebemos que os textos não são solitários (nem os amantes), que eles se complementam, são pernas que se abraçam de forma suave, como devem ser. Não há riscos de textos melhores ou piores, bons ou ruins, corretos ou não. Eles são uma parte de uma história, a parte escrita à quatro mãos, momento de entrega e cumplicidade porque as outras pessoas não enxergam, leem e não veem. Não existe propriamente maldade ou má fé de quem não percebe um texto, o que acontece é a simples ignorância em relação a ele porque obviamente ele não diz nada, como não é mesmo para dizer. Perceber o amor pode ser ainda entender que as coisas têm endereço. Mais: não se encerram ao final de um texto, continuam, eles são escritos "sempre", paulatinamente... Com intervalos para serem percebidos e respondidos.


          
Os textos de amor são melhores porque não informam exatamente nada: deixam que escorram de suas letras e frases, signos para o colo do outro, para lugares do espírito que o outro não percebe que possui e, sempre, para o coração. É preciso cuidado com o que se escreve, é preciso a cadência certa e a palavra apropriada, tudo para viver um grande amor. É preciso logo entender e respeitar o tempo e o sentimento do outro e colocar-se ali, por inteiro, mas na distância correta em que ele possa buscá-lo ou não. Melhor continuar depois. Sempre.



2 comentários:

Lidi Satier disse...

Ame muito, caro amigo, e seja grato à vida por ganhar o presente de ter a oportunidade de amar. Vida longa a esse amor! Beijos, Lidi Satier

porridus disse...

Sublime! As pessoas amam e, descompromissadamente com certas mumúnhas, é mais legal ainda.

Celso

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