quinta-feira, 18 de março de 2010

Postagem do antigo blog, a história do The Dark Side of Moom:

A Fenomenologia
do Rock Progressivo


Por Antonio Siqueira





Ao abordar o bom e velho Rock Progressivo, não podemos deixar de falar sobre o Álbum “The Dark Side of The Moon” do Pink Floyd. Esse disco paradoxal aborda os diversos males que atacam o homem moderno, como a ganância, a escravidão, o tempo, o problema da individualidade e a loucura urbana. É, por muitos, considerado o melhor disco de rock progressivo de todos os tempos. Pela genial capa já se nota a que vem o álbum; um prisma que “reflete” um feixe de luz branco abrindo em todas as freqüências de cores “ocultas” em seu interior, uma clara analogia ao trabalho de expôr o homem aos seus próprios males.


Em 1973, apesar do grande sucesso devido aos álbuns anteriores, acreditava-se que o Pink Floyd já havia atingido o ápice musical com seu primeiro LP “Piper at Gates Of Dawn”, que divide com “Sgt. Peppers”, dos Beatles, títulos de pioneirismo do Rock Progressivo. Esperava-se que o Pink Floyd não passasse “daquilo”, já que seu principal integrante na época, o genial compositor, guitarrista, cantor e pintor Syd Barret, havia sido afastado da banda há alguns anos por motivo de loucura (devido à fórmula “cérebro já meio afetado” * LSD³ = “samambaia”). Porém, em março desse ano, na formação Roger Waters (baixo-vocal), Rick Wright (Teclado), Nick Mason (Bateria), David Gilmour (guitarra-vocal) lançam a sua obra prima, superando assim, inesperadamente, o seu primeiro álbum, com quase 30 milhões de cópias vendidas. É um dos três discos mais vendidos do mundo. Soando atualíssimo ainda nos dias de hoje, pois, por incrível que pareça, os seres humanos continuam purgando problemas mais intensos do que 30 anos atrás.

O LP possui algumas curiosidades, como a bizarra coincidência de que colocando o disco para rodar logo após o terceiro rugido do leão da Metro-GoldWyn-Mayer no filme “O Mágico de Oz”, as letras e os sons se encaixam perfeitamente nas imagens da tela. É uma experiência única e comprovada. Cuidado! Sua mãe pode pensar que você é um sujeito muito doido ao lhe ver fazendo isso. Os integrantes da banda dizem que é pura coincidência.



A qualidade de produção impecável, timbres e arranjos muito bem trabalhados, somados a um encaminhamento de músicas em perfeita harmonia, fora o lirismo das composições de Roger Waters, tornam esse álbum musicalmente inesquecível para quem ouvi-lo em sintonia perfeita e concentração em estado puro. Mas o que tornou esse LP uma verdadeira lenda do Rock, é a unidade de suas músicas que faz com que as suas nove faixas sejam entrelaçadas em um só tema (Leia-se Disco Conceitual), como os diversos capítulos de uma única obra temática sobre as “Mazelas dos Humanos”.

A primeira dessas Mazelas é tocada em “Speak to Me Breathe”, que trata do problema de encontrar espaço na sociedade e de como tocar a sua vida de acordo com os problemas que aparecem pela frente. Como diz a música, deixando-se levar por essa cômoda sociedade, você só corre na direção de uma precoce sepultura. A seguir, temos a instrumental “On the Run”, uma viagem lírica Floydiana. Depois dela vêm as sinistras badaladas do relógio “Time”, tratando da escravidão ao tempo o qual todo homem moderno está submetido, e dos momentos perdidos quando não nos enquadramos nesse relógio da sociedade. Aqui, eles parecem nos dizer que não adianta querer domá-lo, o tempo sempre irá passar, cada vez mais rápido. Apesar de tudo que fazemos, sempre ficará a sensação de que o nosso trabalho estará sempre incompleto aos nossos olhos e aos da sociedade moderna. Mas, no final das contas, como diz a música, você estará na realidade, somente “um dia mais perto da morte”.

Dando prosseguimento, o ápice do álbum chega com a bela “The Great Gig In The Sky” que, em meio aos magníficos vocais da cantora Clare Torry, sem dizer sequer uma palavra, nos mostra sensações de desespero, loucura, ternura, solidão e até mesmo saudade. Aqui eles mostram que sentimentos não precisam ser passados em palavras, mesmo porque os sentimentos existem antes mesmo das palavras existirem para podermos nomeá-los. Após esta seção magnífica de música, ouvimos a introdução de caixa registradora da conhecidíssima “Money”. Se o tema do álbum são os males humanos, o dinheiro, mais cedo ou mais tarde, teria que aparecer. De forma satírica, Roger Waters dá sua interpretação do que o dinheiro, o Senhor dos Males Humanos, representa para a sociedade. Ele mostra paradoxalmente, o que todo mundo sabe sobre a submissão que temos a ele. Porém, é quase impossível encontrar alguém qe queira se livrar desse "Mal". É de se notar, também, a muito bem executada performance instrumental dessa música, e o riff de baixo mais conhecido do Rock.

À frente, “Us And Them” trata o problema da solidão, do respeito à individualidade e da ambigüidade das pessoas, gerando problemas de comunicação. Por isso, sendo estopim de tantos desentendimentos e guerras. E finalizando essa, vem o solo do teclado delirante de Rick Wright em “Any Color You Like”, terminando com um duelo de guitarras bem acompanhado pelo baixo, bateria e teclado, preparando seus ouvidos e alma para o “The lunatic is on the Grass...” da “Brain Damage”, uma apologia à loucura. Muitos dizem que essa música é uma linda homenagem do Pink Floyd a Syd Barret, o eterno integrante maluco do Pink Floyd. Nota-se que, pelas referências da música, parece ser mesmo. Fechando o álbum, o “Eclipse” resume todos os aspectos da nossa vida mundana, regida perfeitamente pela grandiosa luz do sol, mas que, ainda assim, é encoberta pela pequena Lua. Como nós, que mesmo ante a grandiosidade da vida, somos encobertos por essas “pequenas” mazelas que nos atormentam.

The Dark Side of the Moom é uma obra filosófica, instrumentalmente criativa, conceitual e fenomenológica, como jamais se viu na música contemporânea. Imortal e atual como o Pink Floyd.



ASSISTA AO VÍDEO:


1 comentários:

mariza disse...

muiiito excelente, um de seus melhores artigos. leio, releio e não me canso.
beijo

Postar um comentário

Diga-me algo