quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Para fiéis que não sabiam ler


O Terço da vovó Cininha
Por Antonio Siqueira




Minha avó Cininha rezava o Terço pela amanhã e ás 18 horas todos os dias e religiosamente. Eu, muito pequeno e curioso, pensava comigo mesmo: "Um dia vou ter um treco desses!". . Um belo dia, vovó Cininha me deu um que guardo até hoje até que descobri a verdadeira origem desse colar e como ele foi associado à religião.

Na verdade, a tradição de rezar e meditar, que se formou a partir das tradições dos monges eremitas dos séculos IV e V, tornou-se comum a partir do século X. No século XIV, os frades dominicanos introduziram o rosário para facilitar a prática religiosa entre os analfabetos e substituir a meditação dos Salmos, celebrada em coro. O rosário é uma enfiada de 165 contas, correspondentes ao número de 15 dezenas de ave-marias e 15 padre-nossos. O nome se deve a um relato popular de um monge que costumava rezar 150 ave-marias de uma forma que saía de seus lábios como rosas que subiam aos céus e se depositavam na cabeça da Virgem Santíssima. O terço, como o próprio nome diz, representa a terça parte desse cordão de orações. O papa Pio V (1566-1572) deu ao terço o formato de hoje, que consiste em 50 ave-marias intercaladas por cinco pai-nossos.

Vovó não era analfabeta, muito pelo contrário: era letrada e muito inteligente, inclusive foi quem me ensinou, de fato, a ler e escrever. Só não teve tempo de me ensinar a rezar o terço, mas deixou um legado de amor, respeito e dignidade para todos os netos. Netos apaixonados, diga-se de passagem e que aprenderam que amor de Avó também é único.

1 comentários:

mariza disse...

vó é 'mãe com açúcar'.
adorei a crônica, bastante elucidativa para aqueles que desconhecem a origem do terço. a Mãe não nega nada ao filho que reza um terço com fervor, a mais bonita forma de intercessão de Nossa Senhora junto a seu amado Filho.

sua Vozinha sabia das coisas.

beijo

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